HISTÓRIAS INFANTIS – APRENDENDO COM JESUS

Brincadeira para crianças
Brincadeira para crianças

 11 – AMOR SUFICIENTE PARA TODOS

    Ricardo podia ouvir o vento frio soprando lá fora e se sentiu muito alegre por ter uma casa confortável e quentinha. Ele estava observando sua mãe descascando maçãs para fazer um doce,  enquanto alisava seu cachorrinho de estimação que já estava quase dormindo.
    A mamãe, com todo cuidado tirava a fina casca das maçãs. A casca  se enrolava, enquanto sua faca dava voltas ao redor da maçã. Sua irmã, Sandra, estava bem perto da mamãe, pegando as cascas antes que tocassem na panela.
    – Eu também quero fazer isto – disse Ricardo, enquanto chegava mais perto da mamãe. – A próxima casca é minha, não é, mãe?
    – Há cascas suficientes para os dois – disse a mãe – e acho que ainda vai sobrar. – E ela sorriu para Ricardo.
    O sorriso da mamãe fez com que Ricardo ficasse muito satisfeito. Ele olhou para ela e sorriu também, e notou que a mamãe estava sorrindo para Sandra.
   Neste momento uma casca de maçã caiu no chão, e Muchinga, a gatinha, pulou em cima dela.
    – Ó, Muchinga, você é muito malandra! Disse Ricardo se divertindo, vendo como ela jogava a casca. – Você  quer brincar, não é? Está bem, então venha aqui que eu vou brincar com você.
    Ricardo foi até a sala e encontrou o brinquedo especial e preferido da gatinha, uma longa fita com uma pequena bola vermelha amarrada na ponta. Ele corria ao redor da sala puxando fita, enquanto Muchinga procurava caçar a bolinha.
    – Grrr! – resmungou Tuty, o cachorrinho, correndo e tentando agarrar a bola. Ele havia acabado de acordar e queria entrar na brincadeira. Mas, Muchinga não gostou da história, levantou suas costas e seu pêlo, e… arranhou o Tuty. Este por sua vez, latiu, latiu e deu uma patada em Muchinga.
    – Que aconteceu. Venham aqui vocês dois – disse Ricardo, sentando entre eles e gentilmente agradando cada um. – Não se preocupem. Nós podemos brincar todos juntos. Eu gosto de cada um da mesma maneira.
    Pouco tempo depois tanto o cachorrinho quanto à gatinha, estavam dormindo, e Ricardo voltou para a cozinha. Sandra continuava ajudando a mãe a colocar as maçãs numa panela grande.
    – Eu quero fazer isso – disse Ricardo, tentando alcançar a panela.
    – Há lugar suficiente para os dois, e muitas maçãs também – disse a mãe. E desta maneira Ricardo e Sandra se revezavam ajudando até que a panela estava bem cheia.
    Quando as maçãs estavam fervendo em cima do fogo, Ricardo olhou para a mamãe e perguntou:
    – De quem você gosta mais, mãe, de Sandra ou de mim?
    Ele esperou ansioso pela resposta. Sandra ouviu o que Ricardo tinha perguntado, e veio para perto para ouvir o que a mamãe iria responder.
    Ricardo ficou muito surpreso pelo que a mãe fez então. Ela sorriu, sentou-se, e colocou um braço ao redor de Ricardo e o outro braço ao redor de Sandra.
    – Ricardo – ela disse – eu vi você brincando com seu gatinho e com o seu cachorrinho.
De qual dos dois você gosta mais?
    – Oh, gato e cachorro são diferentes – respondeu Ricardo. – A gatinha é branca e macia, tem lindos olhos azuis. Tuty é todo crespinho e preto, e tem um nariz comprido e bonito. Eu não gosto mais de um do que do outro.
    – Bem – disse a mãe – Sandra é uma menina, com longos cabelos e olhos escuros. Você é um menino, tem cabelos curtos e olhos azuis. Vocês são ambos meus filhos, e eu amo a cada um da  mesma maneira. Tenho amor suficiente para os dois, e ainda tem mais amor sobrando.
    Ricardo se sentiu muito bem ao ouvir isto. Sandra também estava sorrindo.
    – E sabem – acrescentou a mamãe – Deus nos ama da mesma maneira também. Ele tem muito amor por cada pessoa neste mundo.
    – Assim como maçãs – riu Ricardo. – Suficiente para todos, e algumas de sobra.
    Deus nos ama muito mesmo – ama a cada um de nós. Vamos lhe dizer “Muito Obrigado” por nos amar tanto e por ter feito um mundo tão maravilhoso onde podemos viver.

 12 – ARTEIRO

                                                                                                                         
     Arteiro era um gatinho preto, que apareceu no quintal, e as crianças         trouxeram para dentro de casa.
    Célia deu-lhe o nome de Arteiro, porque a primeira arte que fez foi enfiar as patinhas na cesta de costura da mamãe enroscá-las na linha, desenrolar o carretel, puxá-lo para fora e embrulhar-se todo na linha já embaraçada.
    Um dia, ele pulou e puxou a ponta da toalha da mesa e subiu por ela, pondo-se todo contente bem no centro da mesa! Era tão pretinho e engraçado sobre a toalha alva, que até a mamãe não pode deixar de rir ao tirá-lo de lá, dizendo que ali não era lugar para gatinhos!
    “Ele precisa tomar umas lições de boas maneiras”, disse Rosália; “mas como ele aprenderá, se não entende o que dizemos?”.
     Papai gostava do Arteiro também. Quando estava em casa à tarde, deixava que o gatinho lhe subisse pelas pernas, e se aninhasse no alto dos seus ombros. Depois o levava consigo até à biblioteca, e o ajeitava na mesa, onde ele tirava um bom sono. Mas quando não queria dormir, o Arteiro fazia artes: Mexia nos papéis… Um dia ele pulou na escrivaninha e passou um tempo delicioso espalhando penas e lápis pela sala toda; mas quando entornou o tinteiro, mamãe disse: “Não há jeito; precisamos ensinar boas maneiras ao Sr. Arteiro, ou então conservar a escrivaninha sempre fechada”.
    “O melhor é fechar a escrivaninha”, disse Rosália que achava que o Arteiro era muito pequeno para aprender boas maneiras.
    Um dia, papai estava muito ocupado e chegou tarde para o almoço. As crianças almoçaram e estavam prontas para ir à escola.
    “Antes de almoçar, preciso ver o jornal”, disse o papai, “não tive tempo de correr os olhos pelas notícias esta manhã!”.
    Ele abriu o jornal e começou a ler, quando…
    “Papai, olhe! Gritou Rosália”, Olhe, papai!”.
    Papai afastou o jornal, sobre a mesa, saboreando placidamente seu prato!
     “Será possível!” Exclamou a mamãe! “Este gatinho tem que aprender bons modos!”Ela retirou o gatinho de lá, levou-o para o “hall”, fechou a porta e trocou o prato do papai”.
    Papai simplesmente riu. “Ele aprenderá quando for mais velho”, disse.
    Mamãe esqueceu-se do Arteiro enquanto tirava a mesa. De repente, lembrou-se. “Ora! Esqueci-me do gatinho lá no hall!”.
    Ela foi procurá-lo. Nem sinal de gatinho no “hall”! Ela chamou, chamou, mas o Arteiro não apareceu. Procurou-o pela casa toda, e nada do Arteiro!
    Quando as meninas voltaram da escola, a mamãe disse-lhes:
    “Coitado do Arteiro! Sumiu-se! Procurem-no pelo quintal; não quero que ele passe a noite fora, sozinho!”.
    As crianças procuraram e procuraram… Perguntaram aos vizinhos, e nada. Ninguém vira o Arteiro.
    “Papai ficará triste quando souber do desaparecimento do Arteiro”, disse Rosália.
    “Vou tentar mais uma vez. Vou olhar por toda parte”, disse Célia. Mas não foi encontrado. As crianças estavam tristes quando papai chegou para jantar.
    “Papai, Arteiro sumiu-se”, disseram elas.
    Papai riu gostoso
    “Olhem aqui!” Disse ele. Enfiou a mão no bolso do sobretudo e retirou de lá… O gatinho preto!
    “O Arteiro!” Gritaram as crianças, correndo ambas para pegá-lo.
    Onde você o encontrou; perguntou mamãe.
    Papai contou que já estava na metade do caminho para a cidade, quando, ao tirar, o lenço do bolso, deu com o gatinho que dormia sossegadamente no seu bolso. Quando mamãe levou-o para o “hall”, ele subiu no, sobretudo do papai e acomodou-se num dos bolsos.
    “Que fez com ele, papai?” Perguntou Célia.
    “Levei-o para o escritório, naturalmente”, disse ele;  “não havia tempo para voltar em casa. No escritório, ele se comportou muito bem; brincou com todos e dormiu no cesto de papel. E ainda se fala em ensinar-lhe boas maneiras! Vamos tratá-lo como a um cavalheiro, e mais tarde verão que ele será o melhor e mais ajuizado gato do mundo!”.

13 – AS ESTRELAS SÃO PARA NOS GUIAR

    Bruce queria acompanhar seu pai nas planícies do grande Deserto de Gobi. O Gobi se estende por muitos e muitos quilômetros, mas com muito poucas marcas ou sinais que indiquem a direção. Existem somente quilômetros de planícies onduladas – sem estradas, sem árvores, sem cidades e sem vilas.
    O pai de Bruce ia com freqüência ali, porque, bem distante, além daquelas planícies, estava uma importante sede da missão. Mas era uma viagem longa, muito cansativa, e a pessoa tinha que levar tudo o que precisava, colchonete para dormir, coisas para comer e roupa suficiente para todo o tipo de temperatura. E se estivesse na época das chuvas, qualquer tipo de viagem seria muito difícil.
    O papai estava se preparando para a viagem, e Bruce tinha esperança que poderia ir junto. Depois de muitas considerações sobre o assunto, e tendo de fazer uma preparação adicional, o papai decidiu que Bruce poderia ir junto desta vez. O pai carregou o carro na noite anterior, e tudo estava preparado para a partida na manhã seguinte.
    “Vamos”, disse o pai, “está na hora de acordar, já é tempo de tomarmos nosso caminho”.
    Bruce esfregou os olhos, se espreguiçou um pouco, e somente meio acordado, lembrou que naquela manhã iria acompanhar o pai na longa viagem. E assim, rapidamente, saiu da cama, se vestiu, e bem depressa estava sentado à mesa, tomando seu desjejum na madrugada. O papai estava colocando as últimas coisas no carro, esquentando o motor e esperando pela hora de partir.
    Com um alegre “viva”, e um último carinho em Rom-rom, Bruce e seu pai saíram do portão para a estrada, e logo começaram a subir a estrada adicional que os levaria à parte alta da planície do Deserto de Gobi. Em menos de uma hora, estavam mais próximas e mais brilhantes.
    O carro seguia pela escuridão, e o dirigir requeria muito pouca atenção. Bruce sentado no banco da frente com seu pai adormeceu um pouco, e o ronco contínuo do motor parece que estava embalando o pai em uma sonolência, também; mas não foram muito longe porque o carro caiu em um declive que levava a um desfiladeiro profundo. O caminho defeituoso e a sacudidura acordaram o pai, que olhando ao redor logo viu que tinham saído da estrada. Ao invés de viajarem para o sudoeste, estavam indo direto para o Este, e naturalmente logo estariam em áreas desconhecidas.
    “Bem”, disse o pai, “acho que cochilei um pouco e não sabia para onde estava guiando. Eu nunca tinha visto esse desfiladeiro antes”.
    “Como você sabe?”, perguntou Bruce, “existem tantos desfiladeiros, como você pode saber qual que já viu e qual não viram?”.
    “Você precisa ter certeza”, respondeu o pai, “estou acostumado com os que já vi, e nunca estive neste desfiladeiro antes”.
    “Você sabe em que direção está o norte, pai?”.
    “Não, mas sei uma maneira que podemos descobrir”.
    “Mas você não tem uma bússola”, disse Bruce.
    “Não”, replicou o pai, “vamos nos guiar pelas estrelas”.
    “Pelas estrelas!”, exclamou Bruce, “como, se todas estão no céu! Como pode se guiar por estrelas?”.
    “Certamente podemos, filho; os marinheiros nos grandes navios que atravessam os oceanos calculam sua localização corretamente, olhando para o céu e localizando certas estrelas. Embora não estejamos no mar, estas grandes planícies são exatamente como um oceano, e nós também podemos calcular nossa localização, e encontrar o caminho certo pelas estrelas. Primeiro precisa encontrar a Estrela Polar, a Estrela do Norte, e seguir a linha até onde estão agora. Depois identificando outras constelações, e encontrando a relação com outras estrelas, podemos ter uma direção geral e saber como devemos proceder para encontrar um certo ponto no mapa”, explicou o pai.
    “Isto é muito interessante”, disse Bruce. “Eu lembro que o primeiro capítulo de Gênesis nos fala que quando Deus criou o céu e a Terra, Ele mandou que aparecessem os luminares no céu, e a Bíblia nos diz que eles deveriam servir de sinal para as estações, para os dias e para os anos; mas eu não sabia que também poderiam nos ajudar a encontrar o caminho quando estamos perdidos”.
    “Sim, Bruce, você não se lembra da história na Bíblia, quando os magos foram guiados por uma estrela, através do deserto até Belém, para encontrar o Menino Jesus?”.
    “Ah, sim, eu me lembro desta bonita história; e sabe, pai, acho que você é igual aos magos, vai encontrar nosso caminho neste deserto através de uma estrela”.
    Muitas vezes a Bíblia nos fala sobre as estrelas. Você mencionou Gênesis, onde está escrito que os luminares do céu deveriam servir de sinal. Quando Jesus esteve aqui na Terra, Ele falou sobre os sinais no céu. Um dia Seus discípulos perguntaram quando Ele voltaria a Terra, e Ele disse que haveria sinais no Sol, na Lua e nas estrelas para mostrar que Sua volta estaria perto.
    “Pai, isso já aconteceu?”.
    “Sim, filho, o último destes sinais aconteceu há 100 anos atrás quando houve uma chuva de estrelas cadentes. Parecia como se do céu estivessem chovendo estrelas. Por aquele e por outros sinais, podemos saber que Jesus voltará muito em breve. E assim, as estrelas não somente nos ajudam a encontrar nosso caminho aqui neste deserto, mas também sinalizam a volta de Jesus”.
    E assim, guiados pelas estrelas, papai e Bruce logo encontraram a estrada correta novamente, contente por Deus ter colocado as estrelas no céu para orienta-los no caminho certo.

14 – AS MÃOS DE MINHA MÃE

    Faz anos, quando minha irmã mais velha tinha meses de idade, aconteceu adormecer no quarto da frente. Mamãe estivera ocupada com o serviço da casa e, ao aproximar-se da hora do almoço, encheu o fogão de querosene, preparando-se para cozinhar o almoço.
    Cheio o fogão, mamãe riscou um fósforo para acender. Seguiu-se terrível explosão, e em breve a pequenina casa se achava em chamas. Na explosão minha mãe ficou seriamente ferida. O braço esquerdo e o ombro ficaram em carne viva. Os vizinhos acorreram à cena e ajudaram-na a pôr-se em segurança.
    O corpo de bombeiros da pequenina cidade; com seu primitivo aparelhamento daqueles tempos, apareceu dentro de alguns minutos. Por essa altura toda a casa era uma verdadeira fornalha.
    Naturalmente, a primeira coisa de  que mamãe se lembrou ao recuperar-se do choque, foi a criancinha adormecida em meio àquelas chamas. Os bombeiros e os espectadores disseram não haver esperança de penetrar nos aposentos cheios de fumaça e dos caibros a cair. Desprendendo-se, porém, dos que a procuravam conter, mamãe precipitou-se para a incendiada casa, abrindo caminho por entre o fumo e as chamas, em direção do quarto em que se achava sua filhinha – ainda adormecida.
    Agarrando-a com aqueles braços já horrivelmente queimados pela explosão, mamãe carregou o precioso fardo para fora, a salvo. Apenas uma cicatriz produzida por um botão quente assinalou minha irmã mais velha, mas mamãe levou ao túmulo os vestígios de seu ato de heroísmo.
    Por mais de um ano esteve ela em tratamento, enquanto a pele enxertada ia aos poucos cobrindo as feridas. Aqueles repuxados tendões desfiguraram-lhe a bela mão, e feias cicatrizes marcaram o braço que transportou a pequenina para lugar seguro. Aqueles dentre nós, porém, que conheciam a história que se achava por trás daquelas cruéis cicatrizes, amávamos aquela mãe, que a constrange a não poupar a própria vida para salvar seu filho!
    Como esse amor tem inspirado e moldado à vida dos grandes homens deste mundo! Podemos seguir, através dos séculos,  a influência do amor e da educação de uma mãe.
    Aí está José, o jovem escravo que se tornou poderoso governador do Egito – o segundo Faraó. Em meio de adversidade e popularidade José não se desviou da senda da retidão. Por que? Porque, como menino aos  joelhos de Raquel, absorvera de sua piedosa mãe aqueles princípios de verdade e justiça que o mantiveram fiel ao ser combatido pelas ondas da tentação.
    Jorge Washington foi, em sua infância, moldado pelo caráter e o amor de uma piedosa mãe.
    Abraão Lincoln disse uma vez: “Tudo quanto eu sou ou tudo quanto ainda espero ser, devo a minha  angélica mãe!”.
    “O trabalho da mãe muitas vezes se afigura, aos seus próprios olhos, sem importância. Raras vezes é apreciado. Pouco sabem os outros de seus muitos cuidados e encargos. Seus dias são ocupados com uma série de pequeninos deveres, exigindo todos paciente esforço, domínio de si mesma, tato, sabedoria e abnegado amor; todavia ela se não pode vangloriar do que fez como de algum importante feito. Fez apenas com que tudo corresse suavemente no lar; muitas vezes fatigada e perplexa, esforçou-se por falar bondosamente às crianças, mantê-las ocupadas e satisfeitas, guiar os pequeninos pés no caminho reto. Sente que nada fez. Assim não é, entretanto. Anjos do céu observam a mãe, fatigada de cuidados, notando suas responsabilidades dia a dia. Seu nome pode não ser ouvido no mundo; achava-se, porém, escrito no  livro da vida do Cordeiro.
    “Existe um Deus no céu, e a luz e glória do Seu trono repousam sobre a fiel mãe enquanto ela se esforça por educar os filhos para resistirem à influência do mal. Nenhuma outra obra se pode comparar a sua em importância. Ela não tem, como o artista, de pintar na tela uma bela forma, nem, como o escultor, de cinzelá-la no mármore. Não tem, como o escritor, de expressar um nobre pensamento em eloqüentes palavras, nem, como o músico, de exprimir em melodia um belo sentimento. Cumpre-lhe, com o auxílio divino, gravar na alma humana a imagem de Deus”.
    Quão adequado, neste Dia das Mães, que nos detenhamos um pouco e prestemos um tributo a quem tantas vezes tem enchido plenamente a medida da dedicação por aqueles a quem ama! Por intermédio de sua ilimitada afeição, quanto filho ou filha coxeante não tem sido conduzido à luz do supremo amor celeste! Que alegre dia de reunião será aquele em que as piedosas mães de todos os séculos se encontrarem com os seus ao redor do grande trono branco!
    “Pode uma mulher esquecer-se tanto de seu filho que cria, que se não compadeça dele, do filho de seu ventre? Mas ainda que esta se esquecesse, Eu, todavia, não Me esquecerei de ti. Eis que nas palmas das Minhas mãos te tenho gravado: os teus muros estão continuamente perante Mim”. Isaías 49:15 e 16.
    Não quereis vós, neste Dia das Mães – enquanto o coração se acha enternecido ao pensamento do lar e da mãe – pensar também naquele incomparável amor de Cristo e entrar com Ele em mais íntimas relações – com Ele que vos amou e Se entregou a Si mesmo por vós?
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                     

15 – CARLINHOS MUDA DE OPINIÃO

    – Não emprestarei para ninguém! Exclamou Carlinhos ao ver, na manhã de seu aniversário, a bela caixa de ferramentas, enviada pelo tio, acompanhada de um bonito cartão de felicitações. E para maior segurança, acrescentou ele, para que ninguém me venha pedir nada emprestado, manterei a caixa fechada e guardarei a chave comigo, no bolso.
    – Não se esqueça, Carlinhos, disse o pai, que você por mais de um ano tem usado livremente as ferramentas de José. É justo que você seja reconhecido!
    Carlinhos ouviu as palavras mais não claramente, pois já se adiantava quando o pai começara a  falar. Não que ele não estivesse bem com José, não, eles se davam muito bem. É que no dia anterior, quando vinham da escola, José havia falado numa carteira escolar que estava fazendo para a irmãzinha brincar em casa. Ele não podia acabar porque  lhe faltava um trado a fim de fazer alguns buracos nas pernas da carteira.
    José estaria esperando pedir emprestado as ferramentas novas  – e, pensou Carlinhos, se eu deixar a caixa aberta, José sentir-se-á livre para utilizar-se delas. O mais acertado será eu trazer a caixa sempre fechada e guardar a chave sempre comigo, no “bolso”.
    À tardinha daquele mesmo dia, entretanto, José  veio brincar e Carlinhos observou como ele examinava demoradamente a caixa, apreciando quão belas e finas eram as brilhantes ferramentas novinhas.
    – Que lindo presente, Carlinhos, disse José tomado de grande entusiasmo. Se fossem  minhas não permitiria que ninguém tocasse.
    – É isso mesmo que vou fazer. Não emprestarei a ninguém, mas se você  quiser fazer algum serviço, eu estarei disposto a faze-lo para você, respondeu Carlinhos.
    – Você tem a chave da caixa, não tem?  Perguntou José.
    – Certamente, veja, e mostrou a José uma chavezinha de metal branco, brilhante.
Branco e brilhante.
    – Muito bem, isto é suficiente para guardar bem as suas ferramentas, disse José, ao mesmo tempo em que seu pai o chamava.
    – Vamos passear até o sítio, convidou o papai. Como uma flecha José correu para o portão, onde estava o pai.
    – Você poderá vir também, disse o pai de José  para Carlinhos.
    – Não, obrigado, respondeu Carlinhos. Preciso fazer umas voltas para mamãe.
    – Tudo, porém o que segurava Carlinhos era a linda caixa de ferramentas. Ele saiu para fazer algumas compras para a mãe, mas voltou imediatamente. Nunca fizera uma volta tão depressa. Grande  era a animação pelo presente do tio – a linda caixa de ferramentas brilhantes.
    Mas, quando ele voltou e acabou de fazer alguns outros trabalhos extraordinários naquela noite, não dispôs de tempo para dar mais uma olhada ao lindo presente. Demais, ele havia fechado a caixa e a chave estava consigo. Entretanto, para se cientificar correu a mão ao bolso e para espanto seu a chave não estava. Estacou, meditando.
    “Bem me lembro agora, disse ele em voz baixa”. José estava com a chave quando seu pai o chamou. Será que ele me entregou a chave? Não! E Carlinhos convenceu-se de que José não lhe havia devolvido a chave.
    “Malvado de José!” Murmurou, “mas eu hei de apanhá-lo. Não direi nada a ele que a minha chave desapareceu até que ele venha e me peça alguma ferramenta emprestada; então direi que a chave se perdeu”.
    Carlinhos foi dormir aborrecido e na manhã seguinte acordou-se ainda amuado, mas não deu a menor impressão de que estava aborrecido. Queria demonstrar estar tudo muito bem.
    Quando se dirigia para a escola viu a José que o esperava no mesmo lugar de sempre, saudando-o alegremente. Carlinhos nem tirou as mãos do bolso para corresponder à saudação de José. Este não notou que Carlinhos não lhe correspondeu o aceno de mão; nem tocou no assunto da caixa de ferramentas que Carlinhos havia recebido. No período de lanche da escola é que falou a um grupo de companheiros do lindo presente que Carlinhos ganhara. Nesta hora, Carlinhos se conteve para não desmascarar a José de ter ficado com a chave da caixa.
    O dia de aulas se passou e Carlinhos não olhou nem uma vez para o lado onde se sentava José. Quando se acabaram as aulas, Carlinhos adiantou-se  para casa, e naquele dia pela primeira vez não teve palavras de carinho que o veio encontrar como sempre.
    Quando chegou em casa o pai o estava esperando na porta e, tomando a pasta de livros, pediu-lhe que voltasse ao armazém e trouxesse meio quilo de pregos.
    Carlinhos voltou e no meio do caminho encontrou-se com José, que vinha. Seu primeiro pensamento foi passar de largo e nem olhar para o amiguinho.
    – Vou ao armazém, quer ir comigo? Foi o que respondeu ao amiguinho que havia perguntou aonde ia ele.
    – Não, respondeu José,  mas vou esperá-lo aqui e iremos depois juntos para sua casa.
    Carlinhos bem desejaria demorar um pouco mais, até que José  desistisse de esperá-lo e então fosse sozinho para casa. Mas José o esperou.
    – Venha e olhe isto aqui, disse José  ao se aproximar Carlinhos, já de volta, e ambos pararam ao lado de uma grande construção, observando a estrutura fundamental da mesma.
    – Eu olhei isto ontem à tarde, respondeu Carlinhos, parando para observar.
    Num dado momento o pé de Carlinhos resvalou e o menino caiu, saltando-lhe da mão o pacote de pregos que espalharam em todas as direções.
    – Que farei, agora? Mais da metade dos pregos caíram pela grade, dentro do bueiro!
    Neste momento a face de José brilhou de satisfação. Parecia estranho José estar satisfeito neste transe…
    – Você tem aí um cordão?
    – Sim, tenho um barbante, mas que adianta?
    – Certamente que o barbante só não adianta nada, retrucou José, mas olhe aqui, e desembrulhou alguma coisa.
    – Um ímã! Esplêndido! Onde adquiriu você este ímã?
    José sorriu satisfeito. – Eu o comprei, disse alegremente, para sua caixa de ferramentas, pois notei que não havia nenhum.
    Carlinhos estava quase para dizer que José estava querendo amenizar a situação de ter ficado com a chave, mas lembrando-se do propósito que fizera quanto a manter segredo a respeito da chave, nada falou.
    – Pronto, disse José, depois de haver amarrado o ímã na ponta do barbante. Estou certo de que reaveremos todos os pregos.
    Em poucos minutos todos os pregos que haviam caído no bueiro estavam em mãos. Na última vez que ele ergueu o ímã do bueiro, notou que a face de Carlinhos ruboresceu de satisfação. É que unida ao ímã veio uma chavezinha – a chave da caixa de Carlinhos.
    – Parece a chave de sua caixa de ferramentas!
    – Sim, é a minha chave mesmo, disse Carlinhos, sem tirar os olhos do amiguinho e relembrando-se de que na tardinha anterior, ao passar por ali, ouvira um determinado som metálico, mas não podia imaginar que fosse a chave, e demais estava com muita pressa para voltar para casa com as compras que fora fazer para a mãe. Agora ele compreendia que  o som era o de sua chave, quando caíra.
E cheio de emoção falou:
    – Ótima coisa você ter esse ímã neste momento!
    – É verdade, é uma ótima coisa, mas se você não houvesse ganhado a caixa de ferramentas eu não o compraria, pois o comprei especialmente para a sua caixa de ferramentas.
    – Muito obrigado, José, disse a Carlinhos emocionado e cheio de gratidão. E acrescentou: – Quando  você desejar algumas de minhas ferramentas, disponha. A caixa estará sempre aberta!

16 – DAVI E AS PANELAS NOVAS

    Pela quarta vez naquela manhã, Davi correu para casa e perguntou: “Que horas são, mamãe?”.
    “Agora são nove e vinte e cinco. Você precisa esperar mais trinta e cinco minutos”, respondeu a mãe dando uma olhada para Davi.
    “Está bem!”, ele concordou, “mas eu queria que o vendedor se apressasse. Quero ver as panelas novas que ele está trazendo. Você tem certeza que elas podem cozinhar batatas e cenouras sem água e assim mesmo não queimar?”.
    “Sim, Davi!”, riu a mamãe. “Você vai poder ver com os seus próprios olhos hoje mesmo. Logo que o vendedor chegar irá fazer o almoço, para que nós possamos aprender como usar as novas panelas e assim não deixar queimar a comida”.
    “É difícil de acreditar que essas panelas possam ser tão boas”. O tom de voz de Davi demonstrava que ele não podia acreditar no que sua mãe estava dizendo. “Vou ficar bem perto para poder ver com meus próprios olhos”.E saiu rapidamente mais uma vez, saiu para esperar pelo vendedor de panelas que cozinhavam sem água.
    O tempo parecia se arrastar. Será que aquele homem nunca chegaria? Davi se sentou nos degraus da escada e dava um pulo a cada vez que um carro entrava na rua onde ele morava.
    Finalmente chegou o vendedor. “Ele chegou! Ele Chegou!” Rápido Davi abriu a porta da frente  e chamou sua mãe. 
    A mamãe convidou o vendedor para entrar, e Davi ajudou a carregar algumas das caixas onde estavam as panelas.      
    O vendedor desempacotou as brilhantes panelas. “Muito bem, vamos examinar bem cada panela para ver se estão perfeitas”, ele disse. “Depois teremos de lavar cada uma antes de começar a fazer o almoço”.
    “Por que lavar? Perguntou Davi muito surpreso”, elas nunca foram usadas”.
    “Não”, disse o vendedor, “elas nunca foram usadas, mas também não foram lavadas depois do último polimento dado na fábrica. Nós não vamos querer cozinhar alguma coisa nelas sem ter a certeza de que estejam muito bem lavadas. Isto não será bom para você e nem para as panelas”.
    “Ah, sim”, respondeu Davi. E ficou observando como o vendedor colocava detergente em uma esponja e esfregava, com todo o cuidado, as panelas e as tampas. Depois enxaguou bastante e enxugou cada panela.
    “Como estão lindas e brilhantes!”, exclamou a mamãe, “espero que continuem sempre assim”.
    “Elas ficarão”, prometeu o vendedor, “quer dizer, se a senhora não usar palha de aço, e nem outra coisa afiada e áspera para limpar. Lembre-se sempre disto, pois é muito importante”.
    Logo as panelas estavam lavadas e o vendedor pronto para demonstrar como usar. Pedaços tenros e brilhantes de cenoura foram colocados dentro de uma panela, ervilhas em outra e as batatas dentro de outra panela ainda. Colocaram as tampas, mas não colocaram água. As panelas foram colocadas sobre o fogo e acenderam o gás, mas colocaram fogo bem baixo.
    A mamãe e Davi se sentaram para conversar com seu novo amigo, o vendedor, enquanto os vegetais estavam cozinhando. Uma pequena válvula, do tamanho da metade de um dedal, começou a subir e descer, fazendo um barulho divertido. O vendedor colocou o fogo ainda mais baixo, até que a válvula ficou em silêncio novamente.
    “Esta válvula é o seu guarda da cozinha”, ele disse, “ela está avisando que o fogo está muito alto e o alimento poderá queimar se a senhora não abaixar o fogo”.
    A mamãe arrumou a mesa, e logo os vegetais foram servidos. Como estavam gostosos, cozidos sem água nas panelas novas! E também não estavam queimados.
    Depois do almoço, Davi perguntou: “Posso lavar a louça? Eu gostaria de lavar as panelas novas”.
    “Claro que sim, Davi. Mas, por favor, tome cuidado com elas”, disse a mamãe.
    “Está bem”, prometeu Davi, preparando-se para o trabalho. Cuidadosamente limpou cada panela. Ele estava imitando o vendedor na casa de um freguês. Pegou o detergente e espalhou sobre cada tampa das panelas. Então, por um momento, esqueceu o aviso do vendedor de somente usar alguma coisa macia, como uma toalha de papel ou uma esponja, com detergente. Davi pegou a esponja de aço da mamãe e esfregou e raspou uma mancha imaginária.
    Então, como uma flecha, lembrou-se das palavras do vendedor. “Nunca use palha de aço”.
    Davi parecia ter ficado paralisado. “Oh, não!”, disse para si mesmo, enquanto abria a torneira para tirar o sabão. Ali, claro como o dia, estava uma mancha, um arranhão profundo sem possibilidade nenhuma de conserto!
    “Que vou fazer? Que vou dizer? Por que não pensei antes?” Se perguntava Davi silenciosamente, enquanto secava a tampa. E por mais forte que tentasse, não conseguia fazer desaparecer a mancha. O coração  de Davi estava pesado.
    Ele terminou de lavar a louça e guardou tudo em seus lugares. Mas deixou as panelas e as tampas novas em cima da mesa, porque não sabia onde a mamãe iria guardar.
    Quando a mamãe veio para guardar as panelas, imediatamente notou a tampa arranhada. “Oh, veja o que o vendedor fez quando lavou as panelas”. A voz da mamãe estava cheia de tristeza, quando pegou a tampa arranhada e olhava cuidadosamente.
    “Não, mamãe”, falou Davi, “ele não fez isto, fui eu quem fiz”.
    A mamãe olhou muito surpresa para seu filho. Depois de um breve momento ela sorriu. “Oh, como estou feliz porque você me contou. Está tudo bem”. E não disse mais nada.
    Davi agora está bem crescido. Mas o coração de sua mãe fica emocionado, cada vez que lava a tampa arranhada. É a tampa que ela guardará com todo o carinho e cuidado pelo resto de sua vida, porque aquele arranhado é uma lembrança de que seu filho não teve medo de dizer a verdade, mesmo quando teria sido muito mais fácil para ele ficar em silêncio. E porque ele não teve medo de dizer a verdade, também conservou bem puro e limpo seu registro lá no Céu.

17 – FIDELIDADE RECOMPENSADA

    Nos distantes dias de minha infância, sempre me parecia que o sábado era um impedimento para se ter êxito na vida e empreender uma obra de valor. Meus companheiros ambicionavam posições de destaque em que ganhassem muito dinheiro. A mim não me parecia que essas aspirações se adaptassem ao programa de um menino adventista do sétimo dia.
    Quarenta anos mais tarde, quando visitei a velha cidadezinha onde eu nascera, e comecei a indagar acerca daqueles meus antigos companheiros, ninguém me soube dar informações. Quando, naquele dia, visitei o cemitério, notei que a maioria deles se achava debaixo da terra. Um daqueles amigos da infância construíra na cidade um lindo palacete. Agora, fazia pouco fora sepultado – morrera bêbado! Quando deixei o cemitério, não pude conter as lágrimas. Deus me estava a dizer, muito claramente: “Meu filho, coloquei a cerca dos Meus Dez Mandamentos em torno de você, nos dias de sua infância, para que tivesse uma vida mais abundante”.
    Existem também muitas histórias acerca de como a obediência à lei de Deus trouxe bom êxito. Todos vocês, meus pequenos leitores, sabem o que a Bíblia diz acerca de Daniel e seus companheiros, e acerca de José, de Ester, Rute e muitos outros. Mas há também muitas histórias acerca de meninos e meninas dos nossos dias, a quem Deus honrou assinaladamente porque guardavam a Sua lei.
    Uma das melhores histórias que conheço fala de um rapaz que trabalhava numa fábrica de alimentos enlatados. Quando o menino apresentou o seu pedido para o dispensarem do trabalho aos sábados, disseram-lhe, em poucas palavras, que a companhia não tinha lugar para alguém que não trabalhasse aos sábados, ou em outro qualquer dia em que a companhia precisasse de seus serviços. Devia comparecer no escritório na sexta-feira para receber a conta, e o seu caso estaria encerrado.
    Mas aconteceu que, antes que chegasse o sábado, o Senhor enviou uma chuva. Foi uma dessas chuvas pesadas, que vem inesperadamente e mesmo fora de tempo. Deus mandou essa chuva para ajudar um de Seus filhos que estava resolvido a honrar o Seu sábado.
    Certa ocasião essa companhia de conservas tinha cerca de vinte mil latas de frutas em conserva, todas rotuladas e prontas para o despacho. Mas estavam fora, ao ar livre, e poderia vir chuva para estragá-las. Nosso menino, observador do sábado, estava quase certo de que iria chover. E sabia que aquelas latas não podiam apanhar umidade. Nem era de sua responsabilidade Dar-lhes qualquer atenção. Tinha já terminado o trabalho do dia, e o cuidado das latas não lhe cabia. Entretanto, arrumou mais algumas pessoas e com elas pôs todas aquelas latas debaixo de coberta. Apenas terminaram o trabalho, quando desabou pesado aguaceiro.
    O gerente da companhia estava de volta de uma cidade distante, e enquanto se dirigia para casa, pensava: “Todas aquelas latas se molharam. Tem de ser muito bem enxutas, para não enferrujarem; todos os rótulos tem de ser tirados, e colocados outros. Isto significa alguns milhares de cruzeiros de despesas extraordinárias, em trabalho e material…”.
    Como ele ficou contente quando viu todas aquelas latas abrigadas da chuva! Naturalmente, foi logo perguntando:
    – Quem fez isso?
    – Aquele menino adventista foi à resposta.
E o menino adventista, depois disso, teve liberdade para guardar todos os sábados que quisesse. E é claro que queria guardar todos.
Nenhum menino ou jovem adventista ficará num beco sem saída, por causa do sábado. Ainda que às vezes seja provado por algum tempo, Deus lhe providenciará um livramento glorioso!
18 – QUERO SER O FILHO DE ALGUÉM
    Em certa localidade veio um menininho alegrar o lar humilde de um pobre casal. Chamaram-no Joãozinho.
    Sendo Joãozinho ainda pequenino, penetrou a enfermidade em sua pequena família. Não havia médicos por ali perto, que fossem ajudar a seu pai enfermo, e assim não tardou a que ele morresse. Pouco mais tarde sua mãe também veio a falecer, ficando Joãozinho completamente só.  Embora seu tio tomasse conta dele, o pequeno se sentia muito triste e solitário sem o papai e a mamãe. Tinha as roupas sujas e rotas.
    Não tardou a que Joãozinho sentisse que não era de ninguém. Começou a vagar em companhia de alguns meninos maus, e ele próprio se tornou mau. Às vezes um menino órfão aprende muitas coisas más de outras crianças na rua. Nós, que temos um bom papai e uma boa mamãe, devemos cada dia dar graças a Jesus por isso.
    Depois de algum tempo seu tio se mudou para a povoação, ficando vizinho de um de nossos missionários. Também aí Joãozinho fez amizade com meninos maus. Uns homens ruins ouviram falar nele, e uma vez resolveram servir-se dele para maus fins. Eram ladrões que tiravam aos outros o que lhes pertencia.
    Um dia muito frio esses maus homens quiseram roubar na casa do missionário. Falaram com Joãozinho a esse respeito. Disseram-lhe que ele devia rondar a casa, e ver onde guardavam as chaves, de modo que ele pudesse roubar uma. Devia também ver quando os missionários saíam de casa. Prometeram dar-lhe uma boa parte do que roubassem. Joãozinho concordou em fazer esse feio papel.
     À noite estava fria, e Joãozinho estava pobremente vestido enquanto se dirigia para a casa do missionário. Tremendo de frio, parou debaixo da janela, olhando para dentro, a ver o que a família estava fazendo. Ao ver o missionário dirigir-se para a porta da frente, procurou esconder-se;  mas ele o viu. Falando-lhe amavelmente, disse: “Pequenino, deves estar com frio. Entra comigo e aquece-te”. O menino entrou em casa, pensando que agora tinha melhor ensejo que nunca de conhecer o arranjo de tudo por dentro, e saber onde se guardavam as coisas de valor.
    A esposa do missionário sentiu compaixão pelo pequeno sujo e esfarrapado. Preparou-lhe um banho quente e deu-lhe roupa limpa e trouxe-lhe também uma ceia quentinha. Joãozinho não podia compreender essa bondade tão grande. Ao terminar a refeição, a família missionária reuniu-se na sala para o culto vespertino. O dono da casa disse:
    – Agora repitamos juntos S. João 3:16: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o Seu Filho unigênito, para que todo aquele que N’Ele crê não pereça, mas tenha a vida eterna”. Joãozinho escutava. Seu coração se enternecia enquanto repetia as belas palavras de S. João 3:16 uma e mais vezes, mas não podia recordar todas as palavras. Depois do culto, o missionário perguntou a Joãozinho se queria fazer um recado para eles. Ele respondeu: Sim, senhor.
     – E deitou a correr pela rua em que os homens maus o estavam esperando. Agora eles viram um menino limpo e bem vestidinho. Estava todo mudado. Os ladrões pediram-lhe informações acerca da  casa do missionário, mas o menino negou-se a falar. Foi ameaçado, e depois açoitado até que o deixaram quase morto.
    Ao ser encontrado na rua, Joãozinho estava inconsciente. Tinha as roupas sujas, e as feridas a sangrar. Vocês se lembram da história do bom samaritano, que encontrou no caminho o pobre homem espancado pelos ladrões. Pessoas de bom coração recolheram o menino inconsciente e ensangüentado, e levaram-no ao hospital. Durante toda a longa noite ele delirava e dizia:
    – Deixem-me em paz; já não sou aquele menino mau. Sou  João 3:16. Repetidamente o ouviam as enfermeiras dizer: “Sou João 3:16”. Elas não podiam entender o que ele queria dizer com isso.
    Mais tarde, quando Joãozinho começou a melhorar, explicou como pensara em ajudar os ladrões; como havia parado, sujo, faminto e friorento, sob a janela do missionário. Como este o levara para sua cômoda morada, lhe dera um banho quente, roupas limpas e uma boa ceia quente, e João 3:16. Então, o menino disse: “Se João 3:16 pôde fazer tudo isto por mim, mostrando-me tanto amor e bondade, então também eu quero ser um João 3:16. Quero ser o filho de alguém”.
    Esta noite, querido amiguinho leitor, quando te ajoelhares para orar a Jesus, pense nos menininhos que não tem papai nem mamãe que os amem, nem um lar em que viver. Diz-Lhe: “Jesus: Bendize aos órfãozinhos e ajuda-os a encontrar bons lares. Dou-te graças por meus pais e tudo quanto tenho e por Ti, querido Jesus. Amém”.
19 – GELO, NEVE E ANJOS
    Três rostos se viraram ansiosamente da janela para sua mãe que estava costurando ali perto, sentada em uma cadeira de balanço.
    – Oh! Mãezinha, o papai vai mesmo chegar esta noite? – perguntou Carla.
    Largando um pouco a agulha, a mamãe sorrindo disse:
    – Sim, Carla, o papai disse que estaria aqui hoje à noite.
    – Mas, mãe, as estradas estão horríveis, muito perigosas agora – disse Tadeu com uma voz assustada.
    E novamente os olhos voltaram a olhar pela janela. Duas horas antes tinha começado uma chuva gelada, o gelo estava pendurado nas árvores e arbustos, fazendo com que parecessem de prata. Agora estava caindo neve, cobrindo todo o chão. O gelo nas estradas foi rapidamente escondido e coberto pela camada de neve. A mamãe levantou de sua cadeira e juntou as crianças ao redor dela. Jaime, que tinha três anos, passou os braços ao redor da mãe e perguntou:
    – O papai está bem?
    Arrumando seus cabelos, a mamãe sorriu novamente e perguntou:
    – Crianças, vocês lembram quem está cuidando de nós todo o tempo?
    Todos os três mexeram a cabeça para cima e para baixo.
    – Jesus – disse Carla.
    – E quem manda para estar com cada um o tempo todo?
    – Nosso anjo da guarda! – disse Tadeu sorrindo.
    – Um anjo está cuidando do papai? Perguntou Jaime.
    – Sim, ele está ao lado do papai, Jaime – disse a mamãe. – Sabe de uma coisa, vamos todos ajoelhar e fazer uma oração especial pedindo que Jesus traga o papai logo, logo para casa e em segurança.
    Todos ajoelharam em cima do tapete no meio da sala quentinha e deram as mãos. Cada um orou – mamãe, depois Jaime, Carla e por último Tadeu.
    “Querido Jesus”, orou Tadeu, você sabe onde está o papai. Por favor, mande o anjo da guarda proteger o papai na estrada gelada e fazer com que ele chegue logo em casa. Obrigado. Amém”.
    Logo que levantaram da oração, de repente a sala ficou escura. O peso do gelo e neve tinha arrebentado o fio da linha elétrica em algum lugar. A mamãe foi acender uma vela e observou o relógio – eram 7:30 horas. Depois a mamãe acertou o seu relógio de pulso e sentou com as crianças no sofá.
    – Vamos cantar algumas canções de Natal! – disse Carla.
    – É isto mesmo, vamos cantar! – disse Tadeu.
    E começaram a cantar “Num Berço de Palhas”, “Sinos de Natal” (escolha outros hinos). Até mesmo o Jaiminho estava cantando, mesmo não conseguindo dizer muito bem as palavras por ser muito pequeno.
    Quando começaram a cantar “Noite Feliz”, eles ouviram o barulho de pneu ao lado da casa como se um carro tivesse entrado. Pulando em direção da janela, todos olharam para ver se era realmente o papai.
    Houve gritos de alegria quando o papai entrou na sala. Abraços e beijos foram trocados, e neste mesmo momento a luz voltou.
    Depois que o papai pendurou o seu casaco, ele veio sentar-se junto com sua família no sofá. Jaiminho sentou no seu colo e Carla e Tadeu sentaram em cada lado, bem pertinho.
    – Sabem, quase não pude chegar em casa esta noite. Não estava muito ruim logo que comecei a voltar. Estava começando a chover. Mas quando a estrada começou a ficar gelada, fiquei muito preocupado e com medo. Eu não tinha dinheiro suficiente para parar em nenhum lugar, e assim continuei a viagem. Eu vi carros caídos em buracos ao meu redor. Mas conservei meus olhos na estrada prestando atenção para não cair em buracos de gelo. – A esta altura o papai parou, abraçou Carla e Tadeu e deu um beijo na cabeça de Jaime.
    – Eu não podia dirigir depressa, acho que nunca dirigi tão devagar. Mas quando cheguei perto da ponte que atravessa (cite um nome), começou o problema. Eu estava ouvindo as notícias de como estava o tempo e as estradas. Eles tinham acabado de anunciar que eram 7:30 horas quando o carro começou a derrapar. Havia um forte vento atravessando a ponte, e a estrada era um espelho de gelo. Eu podia ver a água – preta e fria. O carro estava derrapando depressa e fora do meu controle. Eu estava esperando a batida contra a mureta e…
    O papai respirou fundo e deixou escapar um longo suspiro.
    -… Mas de repente o carro parou de deslizar e foi direto para frente. Eu não tive mais problemas no resto do caminho para casa.
    – Seu anjo da guarda! Exclamaram as três vozes juntas.
    – Você disse que isto aconteceu exatamente as 7:30 horas? – perguntou a mamãe.
    – Posso dizer que Jesus respondeu as orações de vocês. Vamos ajoelhar e agradecer pelo cuidado que Ele teve para comigo – disse o papai.
    O que você pode fazer quando está com medo?
    Por que vocês acham que acontecem experiências como a que acabamos de contar?
20 – HISTÓRIA DE UM CHINÊS
   
    Numa pequena choça, no alto de uma colina de onde se avista o verde mar, vivia um jovem pescador chinês. A choça era deveras pequena. Consistia apenas num quarto, atrás do qual ficava um alpendre que servia de cozinha. As paredes e o soalho eram de barro batido e encarnadas telhas formavam o teto. A cama, ou melhor, algumas tábuas sobre dois bancos, duas tripeças e uma pequena mesa constituíam a singela mobília. Do outro lado oposto à porta, achava-se uma mesa alta e estreita, onde se encontrava o ídolo de barro pintado, dos pescadores. Ladeavam encarnadas velas em candelabros de metal branco e a sua frente ficava a pesada taça de bronze, cheia de cinzas provindas das barras de incenso.
    Toda manhã, antes de sair à pesca, o jovem chinês Khiok-ah apanhava duas novas barras de incenso, segurava-as diante do ídolo, agitava-as no ar, e colocava-as na taça, rogando dessa maneira as bênçãos do ídolo para sua pesca. Assim fazia toda manhã, com fé singela no poder que deveria ajudá-lo.
    Isso aconteceu por muito tempo. Certa ocasião nosso amigo chinês precisou ir a uma aldeia distante e não podia estar de volta no mesmo dia. Não havia ninguém para queimar incenso ao ídolo, no tempo designado. No entanto, para a fé sincera de Khiok-ah, isto não apresentava dificuldade. À hora de sair, tirou do pacote vermelho duas barras de incenso, e colocou-as diante do ídolo com uma caixa de fósforos. Em seguida, inclinando-se reverentemente, disse: “Ó espírito, hoje devo ir a negócios a um lugar distante e não poderei estar de volta em tempo de queimar-te incenso. Diariamente, sem faltar, tenho feito isto; mas somente desta vez, queima-o tu mesmo. Repara, aqui estão diante de ti, as barras de incenso e os fósforos. Somente desta vez, acende tu mesmo, por favor”. E retirou-se logo.
    Ao regressar, para sua surpresa, não viu as espirais de fumo que deveriam ascender da taça de incenso. Aproximando-se e investigando melhor, deparou com as barras de incenso e os fósforos justamente como os havia deixado. Então, cheio de ira, volveu-se para o ídolo e disse: “Por muito tempo tenho queimado incenso diante de ti e nunca o deixei de fazer. Somente dessa vez pedi que o queimasse por mim e não o fizeste. Será que não podes? Bem, um deus que não tem poder para ascender sua própria barra de incenso, certamente não tem poder para ajudar-me. Por isso não adorarei mais a nenhum deles, até encontrar um capaz de ascender sua própria luz”.
    Passaram-se alguns anos. Khio-ah abandonou sua choça de pescador e teve oportunidade de freqüentar uma escola. Um de seus colegas era cristão e veio, a saber, o voto que ele fizera. De modo que certo dia, o cristão lhe disse:
     – Amigo, queres amanhã de madrugada, subir comigo ao cume de uma colina? Tenho alguma coisa para mostrar-te.
    Khiok-ah aceitou ao convite e na manhã seguinte, antes do nascer do sol, saíram juntos os dois amigos. A todas as perguntas do chinês, o nosso bom cristão respondia: “Espera e verás”.
    Chegaram afinal ao cume da colina, quando os primeiros clarões tingiam de púrpura o céu oriental. Enquanto observavam o maravilhoso alvorecer de mais um dia, viram o sol surgindo em toda sua glória e esplendor.
     – Repara, disse o amigo cristão, o Deus que eu adoro é Todo-poderoso. Toda manhã Ele acende Sua luz e espalha claridade, alegria e vida em todo o mundo.
    Desde esse dia, Khiok-ah dedicou a vida ao Deus que tinha poder para acender Sua própria luz. Tornou-se mais tarde um pregador, mostrando a outros o caminho para o verdadeiro Deus. Mas jamais esqueceu o amigo que por uma ilustração simples, o guiou à verdadeira Luz.

21 – INUNDAÇÃO NA FLORESTA

    Estourando de excitação, Leandro e Davi  correram atravessando o quintal em direção à trilha, ignorando as pilhas de restos de artilharia e trincheiras individuais, lembranças ruins da Segunda Guerra Mundial.
    “Tchau, mãe”, disseram e acenaram pela última vez, antes de desaparecerem dentro da mata.
    A mamãe confiou que Zai Kom, o zelador do acampamento da missão, iria cuidar de seus filhos, enquanto sussurrava uma oração: “Cuida deles, querido Deus”.
    O pai de Leandro e Davi tinha saido em uma viagem missionária, para uma parte isolada e solitária da Birmânia. Os meninos estavam indo para encontrar-se com ele na pequena vila de Lai Twi aquela noite.
     Os meninos e o zelador fizeram seu caminho ao longo de atalhos estreitos e cheios de precipícios, caminhos que pareciam uma cobra se retorcendo por entre grandes árvores e pequenos arbustos. A luz do sol, filtrada pelas árvores, fazia desenhos de luz que dançavam sobre os cabelos louros dos meninos. Em muitos lugares os meninos apontavam para árvores com delicadas orquídeas crescendo em seu tronco – algumas amarelas e violeta, entre  muitas brancas como a neve.
     “Estamos perto do rio”, disse Leandro, depois de algum tempo.
    “Que bom. O velho Manipur não é muito fundo, podemos atravessar sem dificuldade”, disse Davi. Os três atravessaram facilmente o rio e depois pararam um pouco do outro lado para descansar, antes de começar a subida que levava a Lai Twin.
    O coração de Leandro palpitava forte na subida, e ele começou a ficar para trás. “Estamos quase chegando?”, perguntou ansiosamente.
    “Logo depois da próxima curva”, respondeu Zai Kom, “mais uns minutos e estaremos lá”.
    “Até que enfim!” Gritou Leandro, subindo rapidamente pelo caminho e esquecendo que suas pernas estavam cansadas. Podia ouvir ruídos  do vento soprando através das árvores. Agora Leandro estava bem na frente de Davi e Zai Kom. Já podia sentir o cheiro peculiar de uma vila birmanesa, e em poucos minutos chegou à vila.
    Enquanto esperava que os outros chegassem, ficou observando os sinais comuns de uma vila pagã. Sempre ficava com medo quando via as ofertas que faziam aos espíritos nos postes do lado de fora das casas. Ali estava a cabeça de um cachorro, sua boca curiosamente aberta com palitos e depois enchida com comida. Como estava feliz por ser cristão, e também porque a sede da missão ficava em uma vila cristã.
    Além do poste, a casa tinha o telhado feito de palha, e muitas casas tinham inkas (varanda, pórtico) com tutpas. Um tutpa é um banquinho baixo, geralmente enfeitado com pele de tigre. As casas eram construídas contra a montanha e do outro lado sustentadas por pilares. Embaixo das casas os porcos grunhiam.
    “Ugh! Olhe que sacrifício horrível naquele poste”, disse Leandro torcendo seu nariz, logo que Davi chegou perto dele.
    “Realmente é horrível”, Davi concordou, franzindo seu nariz, “mas venha, temos de chegar na casa dak, passaremos a noite ali. O papai deve chegar logo”.
    Uma curta distância à frente, eles encontraram o “hotel” mantido pelo governo e que era conhecido por dak. Era um pouco melhor do que uma choupana, mas tinha paredes quebradas, colunas que balançavam e um inka (entrada) sujo.
    Bem depressa os meninos se ocuparam fazendo fogo, e cozinhando arroz para o jantar. Leandro e Davi não deram atenção aos moradores da vila que  vieram para observá-los. Mas quando as pessoas começaram a apontar, falar e rir excitadamente, os meninos sabiam que alguém estava chegando.
    “Deve ser o papai”, exclamou Davi, e começou a ir para a entrada.
    “É o papai! É o papai”, ele gritou enquanto corria para os braços do pai. Leandro seguiu bem de perto.
    “Como estão vocês?”, perguntou o pai em voz profunda, enquanto abraçava Davi e Leandro. Depois, mais depressa que puderam passaram pelas pessoas e entraram na choupana para comer o seu jantar.
    Não tiveram tempo de conversar depois do jantar, porque os moradores da vila se amontoaram ao redor, trazendo seus doentes. O pai deu medicamento, tratou e ajudou em tudo que pôde. Depois começou a falar para as pessoas sobre Jesus, que os amava.
    Finalmente as pessoas voltaram para suas casas, e o papai, deitou para descansar.
    Durante a noite caiu uma chuva muito forte. Choveu durante toda à noite. De manhã, a trilha tinha sido lavada  e apagada em muitos lugares, e o caminho estava muito escorregadio.
    O pai conversou com os carregadores sobre a situação. Com uma chuva tão forte e pesada, o Rio Manipur deveria estar transbordando. Será que deveriam seguir aquele caminho, ou deveriam tomar um caminho mais longo, que demorava mais de um dia para encontrar a ponte? Ao final, todos  concordaram que deveriam descer a montanha e enfrentar o rio.
    Escorregando aqui e ali, desceram a trilha até o rio. Quando alcançaram o rio, ficaram todos atolados.
    “O rio cresceu mais depressa do que uma massa de pão em uma cozinha quentinha”, disse Zai Kom. A água fazia redemoinhos e muita espuma na borda.
    “O rio deve estar com mais de 160 metros de largura”, observou o papai. “Vamos precisar muito da ajuda de Deus para poder atravessar o velho Manipur hoje”. E virando para Zai Kom, disse: “Corte uma vara bem comprida de bambu. Todos devemos nos segurar nesta vara para cruzar o rio, se alguém cair, poderemos ajudá-lo a levantar-se”. O papai olhou ao redor para Zai Kom, Leandro e Davi, e para os carregadores. Leandro e Davi estavam tão excitados que não tinham tempo para sentir medo.
    Logo que a vara estava pronta, o papai pediu que todos curvassem a cabeça para uma oração: “Pai Nosso que estás no Céu, cuida de nós enquanto atravessamos o rio, ajuda-nos a ter pés firmes, e que possamos chegar salvos até a outra margem. Pedimos em nome de Jesus. Amém”.
    Zai Kom foi o primeiro a entrar na água agitada, depois Leandro, o Papai, Davi e os carregadores seguiram, segurando na vara de bambu.
    Leandro andou alguns passos e logo começou a escorregar. “As pedras estão muito lisas! Quase não posso ficar em pé!”, ele gritou.
    “Segure bem firme”, acrescentou o pai, mas o barulho da correnteza impossibilitou que os outros ouvissem.
    A água agitada empurrava e retorcia seus corpos. E começou a ficar mais fundo, e mais fundo – a água chegou primeiro até os joelhos, depois na cintura e até o peito. Os carregadores lutavam para manter o equilíbrio, com os pacotes sobre suas cabeças.
    Leandro já estava sentindo a água em sua boca e nariz. Quando seu pé pisou em uma pedra grande, ele deu um impulso e por um momento conseguiu tirar sua cabeça e seu peito de dentro da água para respirar, mas em seguida seu corpo desapareceu na água funda novamente. Ele esticava as pernas, tentando pisar no fundo, quando uma de suas mãos escapou da vara. A turbulência do rio o sacudiu com tanta força, que conseguiu fazer com que sua outra mão se soltasse da vara de bambu, e por isto submergiu completamente e começou a ser arrastado rio abaixo. Mas seu pai que viu o que estava acontecendo, mergulhou na revoltosa água e conseguiu encontrar Leandro. O menino sentiu os fortes braços do pai puxando-o de volta. Novamente conseguiu se segurar na vara e depois sentiu as mãos de seu pai cobrindo suas mãos, enquanto segurava firme na vara de bambu. Depois desse  acontecimento, que pareceu uma eternidade para Leandro, a pequena comitiva conseguiu alcançar o outro lado do rio.
    Leandro olhou para o rosto de seu pai e disse: “Estou muito feliz porque os anjos cuidaram de nós, papai, e também estou feliz por você ter segurado a minha mão”. Viu quando o rosto de seu pai se transformou em sorriso. Leandro agora sabia um pouco mais sobre o amor de seu Pai Celestial e também sobre Sua proteção.
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Deus te ama e tem um plano maravilhoso de vida e salvação para você!!!
Pastor Júlio Fonseca

       

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