Alegrai-vos, Regozijai-vos sempre

Regozijai-vos sempre” (1 Ts 5.16). “Quanto ao mais, irmãos meus,
alegrai-vos no Senhor. A mim, não me desgosta e é segurança para vós outros que
eu escreva sempre as mesmas coisas” (Fp 3.1).
 
Em Filipenses 4.4 está escrito de forma a não deixar dúvida: “Alegrai-vos
sempre no Senhor; outra vez vos digo: alegrai-vos”.
A alegria é um maravilhoso presente de Deus, é como um radiante dia de sol
depois de muitas noites frias e escuras. Sombras ameaçadoras desaparecem diante
dessa luz brilhante. Impulsos de vida partem dela, impulsos que aquecem, animam
e saram a alma. A alegria espanta toda a escuridão e afasta a letargia e o cinza
do dia-a-dia. Ela seca as lágrimas e, como num passe de mágica, faz surgir um
sorriso no rosto mais cansado e marcado pelo sofrimento (veja 2 Co 6.10). A
alegria é tão maravilhosa porque é refrescante e contagia. Por isso Deus ordena:
“Alegrai-vos com os que se alegram…” (Rm 12.15). A alegria é
característica do céu!
Com nossa alegria fundamentada apenas em bases humanas não chegamos muito
longe. Essa alegria não tem qualidade nem intensidade perene. O que ontem ainda
me deixava muito alegre e levantava meu humor, o que me deixava eufórico e
entusiasmado, hoje pode ter perdido força e intensidade.
Nossa alegria humana não é constante; ela está sujeita a variações e ao
desgaste da rotina. Ela é sufocada pelos acontecimentos e depende das
circunstâncias.
A alegria de Deus – a alegria que vem de Deus e está estabelecida nEle, a
alegria no Senhor, é bem diferente. É uma alegria que tem a Jesus Cristo no
centro e não a nós mesmos. A alegria em Deus é muito diferente porque é de outra
natureza, porque tem outra base e outra origem.
A alegria de Deus vem da eternidade, por isso dura para sempre e tem valor
eterno. Ela não se desgasta. É uma alegria que mesmo em meio às provações, ao
sofrimento e até diante da morte dá toda a glória a Deus e louva o Seu nome. É
uma alegria entre lágrimas, muitas vezes bastante amargas (veja 2 Co 6.10; Cl
1.24). Por essa razão, “o mundo” não entende e nem pode entender essa alegria! A
alegria em Deus não é segundo a natureza humana nem produz reações tipicamente
humanas. Ela é divina e, assim, sobrenatural. Essa alegria soberana só é
encontrada em Deus, que a presenteia aos Seus como um dom precioso. A alegria de
Deus tem dimensões, qualidades e quantidades que nos são desconhecidas. Ela
repousa em si mesma e permanece imutável porque o próprio Deus é imutável, pois
Ele é o Ser Eterno.
Quando as Sagradas Escrituras nos conclamam: “Alegrai-vos sempre no
Senhor”
, é um Pai amoroso que pede a nós, Seus filhos, que confiemos e
creiamos nEle, pois Ele criou algo que supera as nossas mais fantásticas
expectativas.
Quando o Senhor manda que nos alegremos, Ele está tentando conquistar-nos,
dizendo: “Fiquem firmes em minhas promessas! Confiem em mim! Creiam em mim!
Vocês podem e devem se alegrar!”
Ao ser repetida, a ordem: “alegrai-vos sempre no Senhor…”, recebe
uma ênfase muito forte. Ela é salientada e sublinhada: “outra vez vos digo:
alegrai-vos”.
A solicitação de Jesus por nossa confiança e por nossa alegria – mesmo que
não tenhamos nada de concreto diante dos olhos com que nos alegrar – torna-se
uma exigência bem clara. É como se Jesus dissesse: “Alegrem-se de uma vez!”
O mandamento de Jesus, nesse caso, é que não olhemos para as limitações
humanas, não consideremos as amarras dos costumes e das tradições, nem levemos
em consideração as circunstâncias adversas e as dificuldades em nosso
caminho.
Deus tem perspectivas bem diferentes das nossas. Sua visão é ampla e adentra
mundos que desconhecemos. Ele é o Pantokrator, o Todo-Poderoso.
Como o Deus que vê o passado, o presente e o futuro, Ele nos incentiva, como
cegos, a abrir nossos olhos e confiar nEle, alegrando-nos com fatos que – ainda
– não vemos nem podemos perceber.
Esse presente prometido mas ainda oculto é plenamente existente, assim como
Deus existe!
O grau de nossa alegria pelo presente de Deus ainda escondido demonstra o
nível da nossa fé e da nossa expectativa.
Quem nada espera, quem vive em volta de seus próprios interesses, nada
receberá e sairá de mãos abanando. Permanecerá eternamente faminto, eternamente
movido por questionamentos e eternamente insatisfeito.
Quem tudo espera do Senhor e coloca a si mesmo em segundo plano será
regiamente presenteado.
Deus cumprirá o que prometeu, além do que pedimos ou imaginamos.
Somos herdeiros de Deus; para Sua glória podemos e devemos nos alegrar.
Nem podemos agir de outra forma. A alegria é a nova natureza do renascido.
Pois se existe alguém neste mundo que tem motivo de se alegrar, esse alguém é o
cristão. Ele pode e deve rir de todo o coração e se alegrar como uma criança. O
Salmo 65.8 acerta o âmago dessa questão: “os que vêm do Oriente e do
Ocidente, tu os fazes exultar de júbilo”.
E o Salmo 126.3 deixa
explicitamente claro o motivo de nossa alegria, a razão porque “temos” de nos
alegrar: “Com efeito, grandes coisas fez o Senhor por nós; por isso estamos
alegres.”
Por isso, a Bíblia diz a você e a mim: “Alegrai-vos sempre no Senhor;
outra vez digo: alegrai-vos” (Fp 4.4).
(Dr. M. Peschutter)

Alegrai-vos, Regozijai-vos sempre

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