Epistola de Judas

A salvação é algo comum a todos quantos em todos os lugares invocaram a Cristo como Senhor “À
igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus,
chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de
nosso SENHOR Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:” ( 1Co 1:2 )
(…) Judas sentiu a necessidade de concitar os cristãos a batalharem
pela fé, ou seja, a lutarem pela doutrina do evangelho quando percebeu
que algumas pessoas que se diziam cristãs estavam pervertendo a mensagem
do evangelho.

“JUDAS,
servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados, santificados em
Deus Pai, e conservados por Jesus Cristo: Misericórdia, e paz, e amor
vos sejam multiplicados”
Judas identifica-se aos destinatários
da carta e demonstra ser irmão na carne de Jesus. Perceba que ele não
utiliza o fato de ter sido irmão na carne de Cristo para se arrogar no
direito de escrever na qualidade de apóstolo ( Jd 1:1 ).
Judas e Tiago eram filhos de Maria e José, e por sua vez, irmãos de Cristo “Não é este o filho do carpinteiro? e não se chama sua mãe Maria, e seus irmãos Tiago, e José, e Simão, e Judas?” ( Mt 13:55 ).
Observe que Judas não se arroga no direito de ser tido por apóstolo
de Cristo (v. 17), porém, demonstra que submeteu-se ao senhorio de
Cristo como todos os outros cristãos “Judas, servo de Jesus Cristo…” (v. 1).
Foi na condição de servo (um dos seguidores de Cristo), que Judas
escreveu aos ‘chamados’, ou seja, àqueles que ouviram a mensagem do
evangelho.
Através da mensagem do evangelho os cristãos foram chamados para
pertencerem ao Senhor ( Rm 1:6 ). Por pertencerem ao Senhor Jesus, os
cristãos passaram a ser nomeados ‘santos’, nome este que decorre da nova
condição dos cristãos ‘em Cristo’ ( Rm 1:7 ).
Os homens que aceitam a proposta do evangelho (chamado) por
intermédio da fé, são santificados em Deus Pai. Como se dá a
santificação em Deus Pai? Os que são chamados, ou seja, que ouvem a
mensagem do evangelho, recebem poder para serem feitos (criados) filhos
de Deus ( Jo 1:12 ).
Esta nova criatura proveniente do poder criativo de Deus pertence e é
de uso exclusivo de Deus ( Ef 4:24 ; 2Co 5:17 ). Enquanto a velha
criatura proveniente da semente corruptível de Adão é toda em pecado, a
nova criatura é proveniente da semente incorruptível, que é a palavra de
Deus, gerada em verdadeira justiça e santidade ( 1Pe 1:23 ; Ef 4:24 ).
A raiz da qual se origina a palavra ‘santificados’ e outras
correlatas, é proveniente do vocábulo grego “hágios”, e significa ‘o
sublime’, ‘o consagrado’, ‘o venerável’, sem qualquer referência a moral
ou ao comportamento.
Quando o ‘servo’ de Jesus, Judas, escreveu que os cristãos ‘são
santos’, ele utilizou a raiz do vocábulo grego ‘hagios’, demonstrando
que os cristãos são verdadeiramente santos por terem sido de novo
criados participantes da natureza divina ( 2Pe 1:4 ), em verdadeira
justiça e santidade.
Em momento algum vemos a idéia de gradação na santificação, ou que a
santificação é um processo. A idéia de que a santificação é um processo
decorre do trabalho de lexicógrafos, que ao longo dos anos vêm
‘amalgando’ ao significado da palavra santidade como sendo ‘aquilo que
merece e exige reverência moral e religiosa’.
Na salvação não há qualquer participação do homem, visto que, para a
salvação é preciso nascer de novo. Para ser salvo, basta ao homem crer
na mensagem do evangelho, e Deus há de operar o milagre da Regeneração, a
sua obra perfeita ( Jo 6:29 ).
Desta forma, segue-se que os de novo nascidos segundo a semente de
Deus são guardados em Jesus Cristo, como bem demonstrou o apóstolo
Paulo: “E o Deus de toda a graça, que em
Cristo Jesus vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes padecido
um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoará, confirmará, fortificará e
fortalecerá” ( 1Pe 5:10 ).
É Deus quem chamou os cristãos à sua eterna glória por intermédio do
evangelho de Cristo, e ele mesmo há de conservá-los irrepreensíveis até a
vinda de Cristo ( 1Ts 5:23 -24).
Quando Judas saudou os cristãos nos mesmos moldes que os apóstolos,
ele o fez confiado em Deus que haveria de multiplicar misericórdia, paz e
amor.
A misericórdia, a paz e o amor decorrem do evangelho de Cristo.
Quando Judas solicita a Deus que se multipliquem estas benesses presente
no evangelho, ele tem em mente a mesma oração do apóstolo Paulo:
“E oro para que, estando arraigados e fundados em amor, possais perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade” ( Ef 3:18 ).
O amor de Cristo já foi derramado sobre os cristão em misericórdia,
paz e caridade, porém, é preciso compreender qual a dimensão deste amor.
A compreensão revelará as benesses que foram concedidas sem medida.

 

“Amados,
procurando eu escrever-vos com toda a diligência acerca da salvação
comum, tive por necessidade escrever-vos, e exortar-vos a batalhar pela
fé que uma vez foi dada aos santos. Porque se introduziram alguns, que
já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que
convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador
e Senhor nosso, Jesus Cristo”
Judas demonstra que a sua epístola é fruto de uma necessidade.
Por causa de alguns homens ímpios, ele viu-se obrigado a concitar os
cristãos a lutarem incessantemente pela verdade do evangelho.
Através destas frases fica demonstrado que, por ser irmão na carne de
Cristo, Judas não se considerava privilegiado quanto a salvação.
A salvação é algo comum a todos quantos em todos os lugares invocaram a Cristo como Senhor “À
igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus,
chamados santos, com todos os que em todo o lugar invocam o nome de
nosso SENHOR Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:” ( 1Co 1:2 ).
Judas sentiu a necessidade de concitar os cristãos a batalharem pela ‘fé’,
ou seja, a lutarem pela doutrina do evangelho quando percebeu que
algumas pessoas que se diziam cristãs estavam pervertendo a mensagem do
evangelho.
Estes indivíduos que se introduziram em meio ao ajuntamento solene
dos que professavam a ‘fé’ (evangelho) em Cristo e que estavam ensinando
doutrinas proveniente de uma concepção ímpia, jamais conseguiriam
compuscar a Igreja de Deus.
Não podemos confundir o ajuntamento solene de pessoas, onde os ímpios
também podem comparecer, com a Igreja de Deus, que é formada somente
por aqueles que tornaram-se membros do corpo de Cristo pela fé
(evangelho).
Os homens que comparecem ao ajuntamento solene dos cristãos o fazem
dissimuladamente, porém, procuram transtornar o evangelho impondo a
libertinagem, e negam a Cristo, único Senhor e Deus.
Desde que iniciou-se a proclamação do evangelho aos povos, os
seguidores de Jesus foram perseguidos e confrontados com outras
doutrinas. Num primeiro momento os cristãos foram atacados pelos
judaizantes, que alegavam ser necessário aos cristãos circuncidarem-se e
a guardar a lei, embora Jesus não tenha dado mandamento algum “Porquanto
ouvimos que alguns que saíram dentre nós vos perturbaram com palavras, e
transtornaram as vossas almas, dizendo que deveis circuncidar-vos e
guardar a lei, não lhes tendo nós dado mandamento” ( At 15:24 ).
Os judaizantes queriam deitar fermento à massa “Um pouco de fermento leveda toda a massa”
( Gl 5:9 ), e concitava os cristãos a se circuncidarem. Paulo, porém,
alerta que tal apelo é fruto de um outro evangelho ( Gl 1:6 -7), que tal
chamado não é proveniente de Cristo ( Gl 5:8 ), e que estes homens
querem submeter novamente os cristãos à escravidão.
Os judaizantes queriam fazer os cristãos a voltarem a confiar na
carne, ou seja, em elementos proveniente da origem (descendência) de
Abraão e da lei ( Gl 5:13 ). O apóstolo Paulo, que poderia e tinha
elementos para confiar na sua carne, deixou de fazê-lo para ganhar a
Cristo ( Fl 3:4 ).
Porém, o amado irmão Judas estava enfrentado outra categoria de
indivíduos dissimulados. O modo como Judas os descreve, aparenta ser
indivíduos dentre os gentios que ouviram a mensagem do evangelho, porém,
que preferiram a libertinagem como proceder.
Temos de Judas uma confissão da deidade de Cristo, quando ele
refere-se a Cristo como Senhor, o único Deus anunciado no A. T., o
Salvador ( Rm 10:9 ).
O intuito dos que querem transtornar o evangelho é uma flagrante ação
do anticristo, visto que, a ação dele é negar a Cristo, salvador nosso,
comprometendo a verdade do evangelho “Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? É o anticristo esse mesmo que nega o Pai e o Filho” ( 1Jo 2:22 ).
A exortação de Judas é idêntica a que Paulo escreveu aos Filipenses: “O
que é mais importante, deveis portar-vos dignamente conforme o
evangelho de Cristo. Então, quer vá e vos veja, quer esteja ausente,
ouça acerca de vós que estais firmes em um mesmo espírito, combatendo
juntamente com o mesmo ânimo pela fé do evangelho” ( Fl 1:27 ).
  
“Mas
quero lembrar-vos, como a quem já uma vez soube isto, que, havendo o
Senhor salvo um povo, tirando-o da terra do Egito, destruiu depois os
que não creram; E aos anjos que não guardaram o seu principado, mas
deixaram a sua própria habitação, reservou na escuridão e em prisões
eternas até ao juízo daquele grande dia; Assim como Sodoma e Gomorra, e
as cidades circunvizinhas, que, havendo-se entregue à fornicação como
aqueles, e ido após outra carne, foram postas por exemplo, sofrendo a
pena do fogo eterno”


Embora os cristãos já soubessem da necessidade de estarem
engajados na defesa da verdade do evangelho, Judas escreveu para
reavivar-lhes a lembrança.
Para relembrá-los da necessidade de perseverarem na fé, Judas
apresenta três exemplos: a libertação de Israel do Egito, os anjos que
não guardaram a sua posição e as cidades de Sodoma e Gomorra.
O mesmo Senhor que os homens ímpios estavam negando, é o Senhor que resgatou o povo de Israel da escravidão no Egito “E beberam todos de uma mesma bebida espiritual, porque bebiam da pedra espiritual que os seguia; e a pedra era Cristo” ( 1Co 10:4 ).
Através desta pequena referência ao povo de Israel, Judas quer trazer
a lembrança dos irmãos uma lição que eles já haviam aprendido. Sobre
Israel e os que foram destruídos, podemos nos socorrer dos ensinamentos
de Paulo.
Embora tenha sido resgatado do Egito um povo, nem todos eram israelitas de fato “Não que a palavra de Deus haja faltado, porque nem todos os que são de Israel são israelitas”
( Rm 9:6 ). Da mesma forma, nem todos que se apresentavam na assembléia
dos cristãos eram verdadeiramente membros do corpo de Cristo.
Os que pereceram no deserto eram descendentes de Abraão, porém, pela
incredulidade que havia neles, não vieram a ser contados como filhos de
Abraão. Na condição de povo eram israelitas, porém, por não crerem
individualmente, não puderam ser contados como filhos de Deus.
Através desta pequena referência a Israel, Judas esperava que os
cristãos considerassem que Deus resgatou a Israel da escravidão do Egito
para tornar conhecido o seu nome em toda a terra, fazendo de Israel sua
propriedade particular dentre todos os povos da terra “Mas, deveras, para isto te mantive, para mostrar meu poder em ti, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra” ( Ex 9:16 ).
Embora houvesse um povo livre do Egito, individualmente eles não
confiavam em Deus, e foram destruídos. A exemplo, deveriam considerar
que, para serem participantes do corpo de Cristo é preciso crer na
verdade do evangelho.
Da mesma forma que foram destruídos os que não creram dentre o povo
de Israel, os ímpios haveriam de ser destruídos conforme a condenação
para qual havia sido destinados ao nascerem segundo a semente
corruptível de Adão.
De igual modo não foram poupados os anjos que deixaram o seu
principado. Eles estão debaixo de prisão eterna, visto que, para eles
não há redenção.
A certeza do juízo deve soar como alerta para os incautos e
impenitentes, para os que não se submetem ao Senhorio de Cristo e que
querem transtornar o evangelho.
Os cristãos que considerarem que as cidades circunvizinhas a Sodoma e
Gomorra também foram punidas por se entregarem as mesmas práticas,
haveria de seguir a recomendação de Paulo: “Mas
agora vos escrevi que não vos associeis com aquele que, dizendo-se
irmão, for devasso, ou avarento, ou idólatra, ou maldizente, ou
beberrão, ou roubador; com o tal nem ainda comais” ( 1Co 5:11 ).
Estas três pequenas citações de eventos do A. T. deve ser analisados e
tidos como lembrete, para que os que seguem a Cristo não venha a ser
enganados por homens que se introduzem dissimuladamente mas que tem por
objetivo transtornar a doutrina do evangelho.
  
 “E,
contudo, também estes, semelhantemente adormecidos, contaminam a sua
carne, e rejeitam a dominação, e vituperam as dignidades. Mas o arcanjo
Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de
Moisés, não ousou pronunciar juízo de maldição contra ele; mas disse: O
Senhor te repreenda. Estes, porém, dizem mal do que não sabem; e,
naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais se
corrompem. Ai deles! porque entraram pelo caminho de Caim, e foram
levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de
Coré. Estes são manchas em vossas festas de amor, banqueteando-se
convosco, e apascentando-se a si mesmos sem temor; são nuvens sem água,
levadas pelos ventos de uma para outra parte; são como árvores murchas,
infrutíferas, duas vezes mortas, desarraigadas;”
Judas passa a descrever os homens ímpios que haviam se infiltrado entre os cristãos dissimuladamente.
Eles queriam se firmar entre os cristãos como mestres. Eram
sonhadores, porém, tudo que viam em sonhos não passava de alucinações.
Voltaram a condição de carnais, destituídos do Espírito de Deus.
Como resultado das suas pretensões, rejeitavam toda autoridade e blasfemavam das dignidades.
Acerca deste impuros, bem falou o apóstolo Paulo a Timóteo: “Ninguém
vos domine a seu bel-prazer com pretexto de humildade e culto dos
anjos, envolvendo-se em coisas que não viu; estando debalde inchado na
sua carnal compreensão” ( Cl 2:18 ).
Os falsos mestre queriam a posição de mestres para poderem dominar os
cristãos. Através do pretexto de humildade e reverência ao que diziam
ser sagrado, anunciavam ter sonhos e visões, porém, tudo era fruto de
uma carnal compreensão.
Judas demonstra que os falsos mestres não observam o que preceitua a
Escritura, quando ela demonstra que o arcanjo Miguel não ousou
pronunciar juízo de maldições contra o diabo ( Zc 3:2 ).
Embora tenhamos uma alusão ao nome do arcanjo Miguel em uma suposta
disputa pelo corpo de Moisés proveniente de uma antiga tradição judaica,
podemos compará-la com o texto de Zacarias, onde temos: “Mas
o SENHOR disse a Satanás: O SENHOR te repreenda, ó Satanás, sim, o
SENHOR, que escolheu Jerusalém, te repreenda; não é este um tição tirado
do fogo?” ( Zc 3:2 ).
Talvez Judas tenha se equivocado ao citar a tradição judaica, sendo
que o texto base que queria citar fosse o de Zacarias. Ou, de igual
modo, alguém que tenha copilado a carta, tenha substituído o texto de
Zacarias pelo texto da tradição judaica.
Porém, a idéia que o texto procurou transmitir foi preservada, mesmo
com a alusão a tradição judaica, visto que, o Senhor não proferiu juízo
infamatório contra Satanás, quando este se opunha acerca do Sumo
Sacerdote Josué, antes disse: “O Senhor te repreenda, ó Satanás, sim, o Senhor que escolheu Jerusalém…” ( Zc 3:2 ).
Devemos ter em mente que Miguel é um dos anjos de Deus, porém, não podemos confundi-lo com o Anjo do Senhor que é Cristo “O anjo do SENHOR acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra”
( Sl 34:7 ). Diferente de Miguel, o Anjo do Senhor é onipresente
(acampa-se ao redor de todos que o temem, e deve ser temido (o temem). É
de Cristo que Paulo disse: “Porque esta mesma noite o anjo de Deus, de quem eu sou, e a quem sirvo, esteve comigo” ( At 27:23 ).
Os pretensos mestres não consideravam nem mesmo o exemplo do Senhor
quando Satanás se opunha a Ele acerca de Josué. Eles difamavam o que não
entendiam por se arrogarem mestres. Até mesmo o que é possível
compreender naturalmente pervertem.
O escritor declina três ‘ais’ sobre os seguidores do anticristo.
Através das heresias que estavam introduzindo dissimuladamente, os
falsos mestres estavam percorrendo o caminho de Caim, que matou o seu
irmão. Através das heresias procuravam matar os que alcançaram vida em
Cristo.
A ganância cegou-lhes o entendimento, e seguiram o mesmo erro de
Balaão. Em busca de recompensas materiais, resolveram transtornar a
verdade do evangelho.
Ao falarem contra as autoridades superiores, agiram da mesma forma
que Coré, atitude que os condenou a perecer conforme os revoltosos que
se levantaram contra Moisés.
Embora estes homens estivessem se reunindo com os cristãos, na
verdade eram pastores de si mesmos. São os mesmos que tem o ventre na
conta de seu deus “Cujo fim é a perdição; cujo deus é o ventre, e cuja glória é para confusão deles, que só pensam nas coisas terrenas” ( Fl 3:19 ).
Judas demonstra que tais homens banqueteavam-se nas festas fraternas
dos cristãos, porém, sem recato algum. Nada deve se esperar deles.
Alguns teólogos classificam estes homens que Judas fez referência
como sendo apóstatas gnosticistas denominados antinominianos ou
libertinos.
É de consenso comum que a legalidade promovida pelos judaizantes é
contrária a graça de Deus. Porém, também é temerário dizer conforme J.
I. Packer: “Essa é a resposta final ao antinomianismo: a graça estabelece a lei” Vocábulos de Deus, Packer, J. I, Editora Fiel.
No afã de combater os heréticos que acham por bem cometerem toda
sorte de torpeza, não podemos nos socorrer da lei Mosaica como se ela
complementasse a graça de Cristo, ou que a graça a estabelece.
É de conhecimento que Paulo apregoava a moderação
em tudo, sem fazer qualquer referência a lei Mosaica como parâmetro de
conduta. Para saber qual a relação entre graça e lei, leia os artigos:
Vinho Novo, Lei e
Graça e O Evangelho Anunciado.
“Ondas
impetuosas do mar, que escumam as suas mesmas abominações; estrelas
errantes, para os quais está eternamente reservada a negrura das trevas.
E destes profetizou também Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo:
Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos; Para fazer juízo
contra todos e condenar dentre eles todos os ímpios, por todas as suas
obras de impiedade, que impiamente cometeram, e por todas as duras
palavras que ímpios pecadores disseram contra ele. Estes são
murmuradores, queixosos da sua sorte, andando segundo as suas
concupiscências, e cuja boca diz coisas mui arrogantes, admirando as
pessoas por causa do interesse”
Judas compara os homens que se introduziram entre os cristãos com
as ondas do mar. Da mesma forma que as ondas do mar quando em fúria,
eles são agitados, tornando evidente a sujidade que contém.
O apóstolo Tiago compara os duvidosos com a onda do mar que é
impelida e agitada pelo vento ( Tg 1:6 ).Paulo falou do mesmo assunto: “Para
que não sejamos mais meninos inconstantes, levados em roda por todo o
vento de doutrina, pelo engano dos homens que com astúcia enganam
fraudulosamente” ( Ef 4:14 ).

A astucia e o engano proveniente da doutrina errônea dos fraudadores
da palavra é comparado com o vento, revelando inconstância e sujidade.
Eles são comparados a estrelas errantes, ou seja, embora percorram um
caminho, eternamente permanecem nas trevas. Assim são os homens sem
Deus, percorrem caminhos que aos seus olhos parecem conduzir a Deus,
porém, ainda permanecem no caminho largo que conduz a perdição.
Por não nascerem de novo, seguem caminhos variados, porém, por serem
descendentes de Adão, o caminho largo, todos os caminhos que seguem são
contemplados pela perdição. Continuam errantes, pois está reservado para
eles a perdição eterna decorrente da natureza pecaminosa herdada em
Adão.
Judas lembra que, acerca dos homens ímpios, profetizou Enoque, o sétimo após Adão “E andou Enoque com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus para si o tomou”
( Gn 5:24 ). No Canon sagrado não encontramos qualquer referência a
esta profecia de Enoque. Porém, não podemos inferir que o Espírito de
Deus não tenha inspirado o teor desta carta a Judas.
Como é sabido, tal profecia aparece inclusa em um livro, que foi
localizado em uma bíblia Etíope, por volta de 1773, chamado de ‘Livro de
Enoque’. Há na literatura do segundo século a. D referência ao livro de
Enoque, porém, tal livro perdeu-se no decurso do tempo, sobrando
pequenos fragmentos.
Não é alvo deste estudo tentar descobrir a origem desta citação de
Judas, porém, podemos analisá-la através de outros textos bíblicos
verificando a sua veracidade.
Sobre Enoque, o escritor aos Hebreus nos disse: “Pela
fé Enoque foi trasladado para não ver a morte, e não foi achado, porque
Deus o trasladara; visto como antes da sua trasladação alcançou
testemunho de que agradara a Deus” ( Hb 11:5 ).
Perceba que o escritor da carta aos Hebreus infere do texto do
Gênesis que Enoque andou com Deus através da fé, pois só pela fé é
possível ‘andar’ com Deus. De igual modo, ele foi tirado da terra dos
viventes, e não foi mais localizado, por ação exclusiva de Deus. O
testemunho das escrituras de que Enoque andou com Deus é um testemunho
do próprio Deus de que Enoque O agradara.
Primeiro a Escritura diz que Enoque andou com Deus “Andou Enoque com Deus…” ( Gn 5:22 ), para depois Enoque ser tomado: “…e já não era, porque Deus para si o tomou” ( Gn 5:24 ). Ou seja, isto demonstra que Enoque agradou a Deus.
Através da revelação do Novo Testamento, sabemos que o homem
tornou-se desagradável a Deus por causa da queda de Adão, ou seja, todos
os homens gerados de Adão são filhos da desobediência e da ira.Porém,
aqueles que crêem em Deus são de novo gerados segundo a sua palavra,
tornando-se agradáveis.

A profecia de Enoque é uma exortação: “Vede…”. Ora, os seus
ouvintes deveriam manter-se alerta, pois o Senhor estava por vir
juntamente com os seus milhares anjos. A bíblia é um compêndio de livros
que enfatizam a vinda de Deus acompanhado de seus anjos, e a
necessidade do homem aguardar a sua vinda “Então virá o Senhor meu Deus e todos os santos com Ele” ( Zc 14:5 b).
A profecia de Enoque aponta o motivo da vinda do Senhor: “… para fazer juízo contra todos, e para fazer convictos todos os ímpios…” ( Jd 1:15). Do mesmo modo disse o Senhor ao povo de Israel: “Se
eu afiar a minha espada reluzente, e se a minha mão travar o juízo,
retribuirei a vingança sobre os meus adversários, e recompensarei aos
que me odeiam” ( Dt 32:41 ).
O apóstolo Paulo enfatiza: “Deus recompensará a cada um segundo as suas obras”
( Rm 2:6 ). Ora, sabemos que toda a humanidade foi julgada e condenada
em Adão, mas os ímpios pecadores não sabem desta verdade. Porém, no dia
da ira de Deus, ele tornará manifesto o seu juízo. Dará vida eterna aos
que procuraram honra e glória e perseveraram fazendo o bem. Mas, trará
indignação e ira aos desobedientes à verdade, e que obraram o mal ( Rm
2:7 -10).
Ao retribuir a cada um segundo as suas obras, Deus fará juízo ( Ap
20:12 ), e conhecerão (convictos) que estavam condenados segundo a
condenação de Adão ( Rm 5:18 ).
Perceba que a profecia de Enoque não destoa do restante das
Escrituras, sendo assente que é uma profecia verdadeira. A citação de
Judas não contradiz as Escrituras.
“Mas
vós, amados, lembrai-vos das palavras que vos foram preditas pelos
apóstolos de nosso Senhor Jesus Cristo; Os quais vos diziam que nos
últimos tempos haveria escarnecedores que andariam segundo as suas
ímpias concupiscências. Estes são os que causam divisões, sensuais, que
não têm o Espírito. Mas vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a
vossa santíssima fé, orando no Espírito Santo,”
Judas reforça o seu posicionamento de servo de Cristo ( Jd 1:1),
quando aponta a necessidade de terem na lembrança as predições dos
apóstolos.
Através deste posicionamento Judas demonstrou que as palavras
anunciadas pelos apóstolos são equivalentes ao anunciado pelos profetas
do Antigo Testamento.
Observe que ele apresentou vários personagens do Antigo Testamento
para dar peso aos seus argumentos, e por fim, demonstrou que as suas
palavras não destoam dos apóstolos.
Ora, mesmo sendo irmão de Jesus na carne, irmão de Tiago, ele não se
arrogou no direito de se auto intitular apóstolo, ou utilizar de uma
autoridade que não possuía.
Em nossos dias há inúmeros lideres que se auto intitulam apóstolos, e
não consideram o exemplo de Judas. Se considerassem o exemplo de Judas e
o de Paulo, jamais utilizariam este título que inspira autoridade “Porque eu sou o menor dos apóstolos, que não sou digno de ser chamado apóstolo, pois que persegui a igreja de Deus” ( 1Co 15:9 ).
Ao fazer referência as palavras dos apóstolos, Judas não as cita ‘ips
literis’, e nem atribui a idéia a algum apóstolo específico. Isto
demonstra que as palavras preditas pelos apóstolos eram de consenso
comum, e que não consideravam um apóstolo superior aos outros.
O alerta é específico: “No último tempo haverá escarnecedores, andando segundo as suas ímpias concupiscências” ( Jd 1:18 ). Tal alerta foi feito por Pedro: “Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências” ( 2Pe 3:3 ).
Os escarnecedores promovem divisões entre os cristãos. O que se
observa é que, quem não compreende (discernir) o que é o corpo do Senhor
(união de servos, livres, judeus, gregos, pobres, ricos), acaba
promovendo divisão como a que Paulo teve que abordar com a igreja de
Coríntios ( 1Co 6:1 -8 e 1Co 11:18 ).
As pessoas que causam divisões são carnais, ou seja, não tem o
Espírito. Somente aqueles que tem o Espírito de Deus são espirituais. Ou
seja, para ter o Espírito de Deus é preciso ser nascido dele ( Jo 3:6
), pois ele habita somente o novo homem criado em Cristo, em verdadeira
justiça e santidade ( Ef 2:21 ; Ef 4:24 ; 1Pe 2:5 ).
Para ser Espiritual é preciso tão somente cumprir com o mandamento de Deus, que é: “…que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo, e nos amemos uns aos outros, segundo o mandamento que nos ordenou”
( 1Jo 2:3 e 23). Basta crer em Cristo conforme diz as Escrituras, que o
homem é gerado de novo, deixa de ser carnal pois o velho homem é
crucificado com Cristo (sensual) e passa a ser Espiritual por ressurgir
com Cristo.
Judas encera a exortação acerca da necessidade de se batalhar pela fé
que uma vez foi dada aos santos, e passa a falar da fé que lhes é
comum, o que inicialmente ele queria fazer diligentemente “Amados, enquanto eu empregava toda diligência para vos escrever acerca da salvação que nos é comum…” ( Jd 1:3).
Os homens ímpios que foram descritos até aqui, todos são carnais: destituídos de Deus.
Diferentemente dos homens ímpios que convertem em dissolução a graça
de Deus, os cristãos precisam crescer no conhecimento da graça de Deus
contida no evangelho. Enquanto os ímpios transtornam o evangelho, os
cristãos deve se inteirar para defendê-lo.
“Mas
vós, amados, edificando-vos a vós mesmos sobre a vossa santíssima fé,
orando no Espírito Santo. Conservai-vos a vós mesmos no amor de Deus,
esperando a misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo para a vida
eterna. E apiedai-vos de alguns, usando de discernimento; E salvai
alguns com temor, arrebatando-os do fogo, odiando até a túnica manchada
da carne. Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e
apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória, Ao
único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e
poder, agora, e para todo o sempre. Amém”

Judas recomenda aos cristãos crescerem na graça e no conhecimento quando diz: “…edificando-vos sobre a vossa santíssima fé…” ( Jd 1:20 ).

No verso 3, fé diz do evangelho que foi entregue aos santos. Todos
quantos receberam o evangelho (fé) da graça, devem continuar construindo
sobre o que é firme e permanente, a fé que nos foi entregue.
Sobre o evangelho, Pedro demonstra que cada cristão é pedra viva, e
que são edificados como casa espiritual sobre a Pedra de Esquina, que é
Cristo ( 1Pe 2:4 -5). Cristo, o Verbo Eterno é a Pedra de Esquina,
anunciado através do evangelho, e recebido (fé) de uma vez por todas.
Ora, primeiro Deus edifica casa para si , ou seja, a igreja, onde
temos a cabeça e os membros; a Pedra de Esquina e as pedras vivas
edificadas como casa Espiritual.
Porém, cada cristãos que foi constituído pedra viva precisa deixar
toda malícia, todo engano, todo fingimento e toda maledicência,
desejando como as crianças recém nascidas, o puro leite espiritual.
Embora os cristãos já seja idôneos para participar da herança dos santos
na luz ( Cl 1:12 ), precisavam ser cheios do pleno conhecimento da
vontade de Deus.
Ele está recomendando aos cristãos serem exercitados na palavra da
verdade, que é a fé que foi dada aos santos, sobre a qual é preciso
crescer (construir) todos os dias.
Sabemos também que o evangelho é poder de Deus para os que crêem ( Jo
1:12 ; Rm 1:16 ; 1Co 1:24 ), e quando lemos que é preciso aos cristãos
fortalecerem-se na força do seu poder “No demais, irmãos meus, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder” ( Ef 6:10 ), percebemos que é necessário que os cristãos crescerem no conhecimento da palavra da verdade, que é poder de Deus.
A única forma dos cristãos conservarem-se é permanecerem no evangelho , o amor de Deus. Sobre esta necessidade escreveu Tiago: “…sabendo
que a prova da vossa fé desenvolve a perseverança. Ora, a perseverança
deve terminar a sua obra, para que sejais maduros e completos, não tendo
falta de coisa alguma ” ( Tg 1:4 -5).
A fé é proveniente da mensagem do evangelho, é a fé(evangelho) que
realiza a sua obra ( Jo 6:29 ), criando o novo homem, segundo Deus em
verdadeira justiça e santidade ( Ef 4:24 ), constituindo filhos para Si
segundo o seu eterno poder ( Jo 1:12 ).
Porém, a prova da fé desenvolve a perseverança, e a perseverança
conclui a obra que teve inicio na fé. Ora, a fé sem perseverança é
morta, ou seja, a fé sem obra é morta “Porque necessitais de paciência, para que, depois de haverdes feito a vontade de Deus, possais alcançar a promessa”
( Hb 10:36 ). Ora, após receber a palavra da fé, é preciso perseverar
(paciência), esperando a misericórdia de nosso Senhor para a vida
eterna.
Judas recomenda aos que crêem a terem piedade dos vacilantes na fé. A
ordem, ‘salvai-os’, deve ser cumprida do modo que o escritor aos
Hebreus prescreveu: “Porque, devendo já
ser mestres pelo tempo, ainda necessitais de que se vos torne a ensinar
quais sejam os primeiros rudimentos das palavras de Deus; e vos haveis
feito tais que necessitais de leite, e não de sólido mantimento” ( Hb 5:12 ).
Aos que estão na dúvida é preciso tornar a ensiná-los quais são os
primeiros rudimentos das palavras de Deus, pois estes precisam de leite e
não de alimento sólido.
Aos que são contradizentes, existe a necessidade de discernimento para orientá-los “Retendo
firme a fiel palavra, que é conforme a doutrina, para que seja
poderoso, tanto para admoestar com a sã doutrina, como para convencer os
contradizentes” ( Tt 1:9 ). Aos vacilantes é preciso admoestar
com a sã doutrina, mas os contradizentes devem ser identificados para
ser possível convencê-los.
Porém, dos contradizentes é preciso rejeitar tudo o que professam,
até mesmo as suas roupas manchadas da carne. Primeiro, um contradizente
ainda é carnal, pois carece do Espírito de Deus (v. 19). Pelo que
professam é possível verificar que não nasceram de novo, visto que
contradizem a fé.
Estes devem ser instruídos, porém, tudo o que dizem deve ser
rejeitado. Somente após professarem a verdade do evangelho segundo as
Escrituras, é possível dizer que tal mente foi conduzida cativa à
obediência de Cristo “Destruindo os
conselhos, e toda a altivez que se levanta contra o conhecimento de
Deus, e levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo” ( 2Co 10:5 ).
Além de ser necessário nascerem de novo através da água (palavra da
fé) e do Espírito (Deus) ( Jo 3:5 ), é preciso também rejeitar o
comportamento deles, que é a roupa manchada da carne “Agora, porém, despojai-vos também de tudo…” ( Cl 3:8 ).
Quando Paulo fala em se despir, ele faz referência a morte do velho
homem (natureza pecaminosa). A dizer, despojar, ele recomenda a se
desfazer das túnicas do velho homem (comportamento)( Cl 3:8 -9).
Na doxologia, Judas demonstra que Cristo é poderoso para guardar os cristãos irrepreensíveis e radiantes de alegria.
A divindade de Cristo é demonstrada com todas as letras,
principalmente porque quem afirma é o irmão de Tiago, um dos servos de
Cristo “Porque nem mesmo seus irmãos criam nele” ( Jo 7:5 ); “Ora, Àquele
sendo poderoso para vos guardar de tropeçar e vos apresentar perante a
Sua glória irrepreensíveis e em exultação, Ao único Deus sábio, seja glória e majestade, domínio e autoridade, tanto agora como para todo o sempre. Amém!” ( Jd 1:24 -25) (Bíblia Literal do Texto Tradicional).
A doxologia da Epístola de Judas é uníssona com o que foi dito pelos
apóstolos ( 1Co 1:8 ; Fl 1:10 ; 1Ts 5:23 -24 ; 1Pe 5:10 ). Esta epístola
demonstra que a palavra de um servo de Cristo precisa ser a mesma
palavra dos apóstolos ( Jd 1:1 ).
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