Conhecendo a bíblia. Quem foi Jefté?

Conhecendo a bíblia. Quem foi Jefté?

Esta é uma questão de difícil interpretação e ao mesmo tempo muito polêmica, e que pode ser interpretada de acordo com a própria Bíblia, pois é nela que encontramos os verdeiros pontos para responder tão difícil questão. Primeiro precisamos conhecer quem foi Jefté, pois conhecendo a sua pessoa e sua índole como personagem bíblico, fica mais fácil responder a segunda pergunta.

Jefté (heb. Deus abre), foi o nono juiz dos israelitas, foi chefe de um grupo de homens levianos (Jz. 11:3) e foi um instrumento de Deus para derrotar os amonitas (Jz. 11:33). Feriu os efraimitas (Jz. 12:4). Foi juiz em Israel por um espaço de seis anos (Jz. 12:7). Está listado entre os heróis da fé em Hebreus 11:32. Nasceu de um relacionamento de seu pai com uma prostituta. Por causa de ser filho bastardo foi expulso de casa pelos seus irmãos (Jz. 11:1-2).

Antes de sair para a batalha contra os filhos de Amom, Jefté fez um voto ao Senhor, através do qual ele ofereceria a Deus, em holocausto, quem primeiro da porta de sua casa lhe saísse ao encontro, caso o Senhor lhe concedesse vitória sobre seus inimigos. Quando Jefté retornou, a primeira pessoa que saiu ao seu encontro foi sua filha, e ele recusou-se a não honrar o voto que havia feito.

A Bíblia, no entanto, diz com clareza que o sacrifício humano é uma abominação ao Senhor (Lv 18:21; 20:2-5; Dt 12:31; 18:10). Como é que Deus poderia permitir que Jefté oferecesse sua filha, e ainda relacionou-o entre os campeões da fé em Hebreus 11:32?

Muitos têm entendido que Jefté ofereceu a vida de sua filha ao Senhor, dada a natureza inviolável de um voto feito a Deus (cf. Ec 5:2-6). E mais, observam que um holocausto envolve o sacrifício de uma vida, e justificam esse procedimento tendo por base que um voto a Deus tem precedência sobre tudo o mais, até mesmo sobre a vida humana (cf. Gn 22). Deus é soberano sobre a vida e a toma quando quer (Dt 32:39), como finalmente o faz (Hb 9:27).

Entretanto, por diversas razões, não é necessário admitir que Jefté tenha oferecido um sacrifício de morte.

Primeiro, ele tinha consciência da lei contra o sacrifício humano, e se essa fosse sua intenção quando fez o voto, um sacrifício humano, ele saberia que isso teria sido uma clamorosa rejeição da lei de Deus. E outro detalhe ao qual devemos nos ater é que o Espírito do Senhor veio sobre Jefté quando saiu para lutar contra os amonitas (Jz. 11:29), e só isso em si já nos dá bases suficientes para crermos que ele não faria nada contrário à vontade de Deus. Há comentaristas, como o caso de Davidson (N.C.B.) que afirma que Jefté teria cumprido o seu voto de holocausto literalmente, pois isso não lhe seria estranho pelo fato de ser um semi-cananeu. Deus jamais exigiu na Lei sacrifícios humanos, tão pouco exigiu dele tal ação. Outra pessoa que advoga a causa de ter Jefté sacrificado a filha é o historiador judeu Flávio Josefo, dizendo: “…sacrificou a vítima inocente, que Deus não desejava dele e que nenhuma lei obrigava a oferecer-lhe.”

Em segundo lugar, o texto não diz ter ele realmente matado sua filha como holocausto. Isto é apenas inferido por alguns porque ele tinha prometido que quem quer que primeiro saísse de sua casa seria oferecido ao Senhor “em holocausto” (11:31). Como Paulo mostrou, os seres humanos devem ser oferecidos a Deus como um “sacrifício vivo” (Rm 12:1), e não como sacrifício de mortos. É possível que Jefté tenha oferecido sua filha ao Senhor como um sacrifício vivo. Por todo o resto de sua vida ela serviria ao Senhor na casa do Senhor e permaneceria virgem.

Terceiro, um sacrifício vivo de perpétua virgindade era um sacrifício tremendo no contexto judaico daqueles dias. Fazendo alguém voto de perpétua castidade, e sendo dedicada ao serviço do Senhor, ela não poderia jamais ter filhos e assim dar continuidade à linhagem familiar de seu pai. Jefté agiu com muita honra e grande fé no Senhor, não voltando atrás em relação ao voto que ele havia feito ao Senhor seu Deus. Jefté é citado pelo profeta Samuel em ‘I Samuel 12:11’ junto com Gideão, Baraque e o próprio Samuel como libertadores do povo de Israel.

Quarto, este modo de ver a questão apóia-se no fato de que quando a filha de Jefté saiu para chorar por dois meses, ela não saiu para lastimar a sua morte iminente. Não, ela saiu e “chorou a sua virgindade” (v 38).

Finalmente, se ela tivesse de enfrentar a morte ao fim dos dois meses, teria sido muito simples para ela casar-se com alguém e viver com essa pessoa durante os dois meses que antecederiam sua morte. Não havia razão para a filha de Jefté lastimar pela sua virgindade, a menos que estivesse com a perspectiva de viver toda uma vida nessa condição. Como Jefté não tinha outros filhos, sua filha não se lamentou acerca de sua virgindade por causa de nenhum desejo sexual ilícito.

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Fonte:

www.oucaapalavradosenhor.com

Bibliografia consultada:

BOYER, Orlando. Pequena
Enciclopédia Bíblica:
São Paulo: CPAD, 1966.
DAVIDSON, F. O Novo Comentário da
Bíblia
. 3ª Ed. São Paulo: Ed. Vida Nova, 1990.

BOYER, Orlando. Dicionário Bíblico Universal: São Paulo: CPAD, 1999.

DAVIS, John D. Dicionário da
Bíblia de John Davis:
3ª Ed. São Paulo: Hagnos, 2005.
JOSEFO, Flávio. História dos Hebreus: De Abraão à queda de Jerusalém. Rio de Janeiro: CPAD. 8ª Ed., 2004.

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Sobre o autor: Pr. Julio Fonseca

Graça e Paz! Olá, sou o Pastor Júlio Fonseca da Igreja de Deus no Brasil no município de Anhanguera - Goiás. Procuro ser útil na evangelização por meio da internet levando a palavra de Deus a quem dela precisar sempre com alegria, amor e dedicação! Conheça a minha igreja. »»» www.igrejadeus.com«««

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