O que eu fiz foi porque Jesus me chamou
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O que eu fiz foi porque Jesus me chamou

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II Timóteo 1:12

12 – Por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia.

II Timóteo 1:7-9

7 – Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.

8 – Portanto, não te envergonhes do testemunho de nosso SENHOR, nem de mim, que sou prisioneiro seu; antes participa das aflições do evangelho segundo o poder de Deus,

9 – Que nos salvou, e chamou com uma santa vocação; não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos dos séculos;

  1. É necessário que Deus se revele ao homem e o fortaleça

A força motivadora de Paulo é encontrada no primeiro versículo: “Paulo, apóstolo de Jesus Cristo, pela vontade de Deus” (v.1).

Assim como em suas outras cartas, Paulo procurou deixar claro que o fato dele sofrer o que sofria, era porque havia recebido o apostolado de Jesus Cristo – isto é, havia sido chamado para proclamar a bênção de Deus e implantar novas igrejas por onde Ele o guiasse – e que não era ele mesmo quem batalhava, mas Cristo por ele: “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim” (Gl 2:20)

Paulo sabia que se não fosse pelo Senhor, ele não iria a lugar algum e certamente já teria abandonado a fé. – “Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade” (Fp 2:13).

O apóstolo Paulo – e também todos os demais grandes homens da Bíblia – tinha a certeza de que era Deus quem o fortalecia, que era Ele quem o guiava, que era Ele quem o inspirava: “Porque dele e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém” (Rm 11:36). Paulo não via-se lutando inutilmente, mas “Prossigo para o alvo, pelo prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus” (Fp 3:14) – ele sabia em que cria.

Paulo era consciente de que havia sido instituído como apóstolo “pela vontade de Deus” e não por suas próprias forças – ou por seu “livre arbítrio” – pois quem em sã consciência escolheria viver uma vida sofredora em vez de poder desfrutar dos “prazeres” – ainda que efêmeros e ínfimos – dessa vida? Que razões Paulo teria para seguir um Cristo crucificado e que era zombado por todos? De que valeria viver uma vida seguindo um homem que se dizia ser filho do Rei, mas que no entanto não pôde nem ao menos descer de uma cruz?

 Certamente que Paulo levava cativo em seu coração as palavras ditas aos romanos: “Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece” (Rm 9:16).

  1. O homem de Deus precisa conhecer muito bem o evangelho

É um erro extremamente grosseiro o fato de hoje em dia vermos pessoas serem tão avessas à intelectualidade. Está “na moda” ser relativo, ser indiferente, ser voltado para si mesmo, buscar o seu próprio prazer, ganhar dinheiro à custa de outros e uma série de atos estranhos à Escritura. É lamentável vermos a deterioração dos inúmeros “ministérios” que proliferam mais que postos de gasolina, farmácias ou padarias, sem ao menos atentarem para as palavras de Jesus: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! Quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!” (Mt 23:37). Tais “ministérios” não percebem que mais pregam as “boas novas” do homem pecador do que as boas novas do Santo Salvador.

Quando falamos sobre intelectualidade e o repulso que isso causa nas pessoas – afinal, para tais, ser intelectual é ser “nerd”, retrógrado, sem alegria pela vida, um indivíduo taciturno, quase que desconectado da sociedade – isso não significa que somente os crentes que souberem grego, hebraico, aramaico e geografia bíblica serão salvos, contudo, importa-nos notar que precisamos conhecer a quem temos seguido.

Para que uma conversão seja sólida, segundo Baxter, é indispensável o conhecimento da verdade. “Um homem pode ir para o inferno com conhecimento”, afirma ele, “mas ele certamente irá para o inferno se não o tiver”, pois como “pode amar e servir a Deus a quem não conhece?” [2]

 Certamente que tais palavras nos soam um tanto ásperas, mas isso não é culpa delas mesmas, mas sim de nossos corações obscurecidos e ainda propensos para a auto satisfação. É lamentável que muitos professos da fé cristã não atentem para a exortação bíblica: “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade” (2Tm 2:15).

Nossas igrejas estão cheias de bodes que são tratados como ovelhas e ovelhas que são tratadas como bodes. Homens e mulheres precisam urgentemente ser colocados contra a parede do evangelho e exortados: “Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados” (Ef 4:1) e ainda: “Vós, porém, não estais na carne, mas no Espírito, se é que o Espírito de Deus habita em vós. Mas, se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não é dele” (Rm 8:9).

 É necessário que o homem de Deus leve cativo a promessa da vida eterna

Por fim, Paulo podia viver e seguir em frente a sua jornada, pois vivia “segundo a promessa da vida que está em Cristo Jesus” (v.1). “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não vêem” (Hb 11:1).

Paulo não conseguia enxergar – literalmente – o seu fim, nem tampouco tinha uma “visão além do alcance”, contudo, vivia segundo a fé e a promessa da vida que está em Cristo Jesus.

Meus amados, como temos nos esquecido de que somos forasteiros nesse mundo, que estamos apenas de passagem e que nada mais importa a não ser vivermos para proclamar e glorificar a Deus nesse mundo. É indispensável que nos lembremos diariamente do céu e de suas promessas, pois caso contrário, certamente fraquejaremos.

Assim como um jardim – na ilustração de Spurgeon – precisa de constantes cuidados para que não se introduzam sorrateiramente ervas daninhas e toda sorte de pestes, assim também é necessário que o homem de Deus examine a sim mesmo a cada dia para que veja se não cresce junto ao seu coração qualquer semente maligna que possa dissimular heresias e vontades contrárias ao evangelho de nosso Senhor e Salvador.

Que possamos refletir sobre em quem temos crido e se de fato estamos conscientes de quem Ele é em si mesmo e o que significa isso em nossas vidas. Que o Espírito Santo de Deus nos guie junto à nossa consciência e mostre-nos se de fato temos vivido uma vida segundo o Seu propósito, e quando isso acontecer, que nos lembremos das santas e sábias palavras: “E sede cumpridores da palavra, e não somente ouvintes, enganando-vos com falsos discursos” (Tg 1:22).

Amém.

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